Priscila Alano
Tubarão
Toda vez que a previsão indica chuva acima da média, a população de Tubarão fica apreensiva. Inúmeras ruas e avenidas ficam alagadas. A rede pluvial na sua grande extensão é antiga, com diâmetro pequeno, e não dá conta da vazão. Ontem, em vários pontos da cidade, a rede não suportou a demanda e a água invadiu as ruas, casas e estabelecimentos comerciais.
De acordo com a diretora da Escola Jovem, Leda Regina Mello Schmitz, as aulas foram suspensas no período da tarde em função da rua que dá acesso ao estabelecimento de ensino estar com uma lâmina d’água de aproximadamente 30 centímetros, o que impossibilitou a entrada dos alunos. O morador do bairro Santo Antônio de Pádua Gideon Vieira da Rosa, músico, enfatiza que toda vez que chove várias ruas ficam intransitáveis. A comerciante Bernadete Cardoso, quando chegou para abrir a sua loja, às 13h30min, quase não conseguiu entrar: a água havia invadido a calçada.
A gerente comercial Daniela Reis não aceita a situação na avenida Pedro Zapellini. Com a instabilidade do tempo, a água toma conta da via e quase invade o seu estabelecimento comercial. “Já realizamos várias reclamações na prefeitura, mas, com o asfalto, os problemas pioraram. Em dias de chuva, os clientes não têm como entrar na loja”, lamenta Daniela.
Obras devem amenizar os problemas
O secretário de desenvolvimento urbano da prefeitura, Nilton de Campos, explica que o município de Tubarão não dispõe de recursos suficientes para resolver o problema. O prefeito Manoel Bertoncini disponibilizou aproximadamente R$ 600 mil para que obras emergenciais sejam realizadas, o que deve diminuir em torno de 70% o problema de drenagem na cidade.
Em 30 dias, devem iniciar as obras na rua Silvio Burigo, no bairro Monte Castelo, em direção à Feinvest, em parte do Centro e Vila Moema.
Uma expansão do canal da Vina, que liga as ruas Visconde de Barbacena, Aldo Hulse até a ponte do Andrino e desemboca no Rio Seco, deve ser realizada. A obra deverá evitar alagamentos no Centro, na avenida Pedro Zapellini, entroncamento com a rua Prudente de Moraes (Morro do Canudo), na Vila Moema, na rua Conselheiro Mafra e próximo ao fórum. A previsão é que as obras iniciem em 60 dias.
O Rio Tubarão estava 2,8 metros acima do nível por volta da meia-noite. A água começou a subir mais rapidamente a partir das 21 horas – meio metro três horas depois.
São 45 municípios afetados
Em Santa Catarina, 45 municípios foram afetados pelas chuvas nos últimos dias, 14 deles decretaram situação de emergência: Anchieta, Caçador, Bela Vista do Toldo, Concórdia, Dona Emma, Lebon Regis, Matos Costa, Nova Itaberaba, Penha, Presidente Castelo Branco, Rio das Antas, Rio do Campo, Timbó Grande e Xavantina. Em Blumenau, 23 pessoas estão desalojadas, 12 delas por deslizamento. Blumenau teve 77 ruas atingidas por deslizamentos e outras 13 ruas com barreiras.
No estado, são 4.149 desalojados e outras 487 desabrigados. Ao todo, 120.683 pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas. O número de casas atingidas é de 1.187 e 224 edificações públicas, comunitárias e particulares prejudicadas.
As cidades mais atingidas receberam cestas básicas, colchões, kits de higiene pessoal e limpeza da Defesa Civil. O governador Leonel Pavan visitou ontem a região de Caçador e solicitou à secretaria da Defesa Civil Nacional pedido de R$ 6,5 milhões para atender os municípios atingidos pelas enxurradas.
Estado de alerta em Braço do Norte
Wagner da Silva
Braço do Norte
A Defesa Civil emitiu alerta ontem para o Vale do Braço do Norte. As fortes chuvas causaram danos nas estradas de acesso ao interior. O risco de enchente e deslizamentos também não foram descartados, em função do solo estar encharcado. O coordenador do órgão em Braço do Norte, Reginaldo de Oliveira, avisa: “Mesmo que o tempo melhore, os riscos ainda permanecerão”.
No bairro São Matheus, há riscos de deslizamentos; e o córrego Santa Augusta é monitorado, pois as construções foram feitas muito próximas e a água pode invadir as edificações a qualquer momento.
Nas estradas estaduais que cortam o Vale, a Polícia Militar Rodoviária pede prudência e velocidade baixa, pois, com o mau tempo, a visibilidade é menor, soma de fatores perfeitos para uma tragédia. Isso é justificado pelo número de acidentes.

