Rafael Andrade
Tubarão
Subiu para cinco o número de assassinatos este ano em Tubarão. E isto em apenas 50 dias, o que gera uma média de uma morte a cada dez dias na cidade. O quinto homicídio foi registrado às 11h30min desta sexta-feira, em um terreno às margens da BR-101, no bairro Revoredo, nas proximidades da churrascaria Ataliba. Euclides Cardoso Júnior, de 37 anos, foi morto com seis tiros.
Seis pessoas estavam no terreno, que pertencia a Euclides: cinco operários que trabalhavam na construção de um muro e o engenheiro responsável pela obra. A vítima era proprietária da empresa JF Guinchos, no bairro Passagem. A empresa seria transferida para o local do crime.
O assassino chegou a pé. Caía uma garoa fina. Euclides vestia camiseta, bermuda e chinelo. Ele e o engenheiro estavam abrigados na ‘casinha’ de ferramentas dos pedreiros. “O homem parecia ter entre 35 e 40 anos. Nunca vi frieza tão grande. Escutei o primeiro disparo e atravessei a BR-101 correndo. De lá, pude observar o crime. Foi cruel”, relata um dos operários.
O trabalhador contou que o assassino chegou no local tranquilamente, foi até o local onde estavam Euclides e o engenheiro e perguntou: “Quem é o Júnior?”. O empresário respondeu que era ele. O homem sacou a arma e começou a atirar. A primeira bala atingiu a cabeça de Euclides, a pegou no braço direito e a terceira na barriga.
Mesmo ferido, Euclides tentou fugir. Ele começou a correr e, após 15 metros, um chinelo arrebentou. O empresário perdeu o equilíbrio e caiu. Quando conseguiu levantar, ele foi alvejado mais duas vezes nas costas. Com paciência e extrema frieza, o assassino se aproxima do corpo de Euclides e disparou mais um tiro na cabeça do empresário.
Fuga e investigação
Após matar o tubaronense Euclides Cardoso Júnior, nesta sexta-feira pela manhã, o bandido procurou a chave da Pajero branca do empresário nos bolsos. Caminhou tranquilamente em direção ao carro. Demorou pouco menos de dois minutos para ligar o veículo, que é automático, e fugiu.
Curiosamente, ele dirigiu por apenas 800 metros e abandonou a Pajero nas proximidades do trevo norte, na avenida Tancredo Neves. “Ele ainda trocou de camisa assim que entrou no carro”, conta um dos operários que trabalhava na construção de um muro no local do homicídio.
O engenheiro ficou em estado de choque e, desesperado, entrou em seu carro e fugiu pela BR-101 na contramão, em direção ao sul. As outras testemunhas passaram a tarde prestando depoimento na Central de Operações Policiais (COP) de Tubarão.
O delegado Marcos Ghizoni comanda as investigações do caso. “As informações levantadas até agora indicam que o assassinato premeditou o crime e, talvez, haja ligação com a morte do sócio dele, Bento de Souza, ocorrida no dia 13 de novembro do ano passado”, acredita Ghizoni. Até o fechamento desta página, por volta das 22 horas desta sexta-feira, nenhuma pessoa havia sido presa.
Crimes podem ter ligação
Há três meses o sócio-proprietário da empresa JF Guinchos, Bento de Souza, de 56 anos, foi assassinado com 11 tiros no peito, cabeça, barriga e costas, em Pedras Grandes. O crime teve início no apartamento da vítima na praia do Mar Grosso, em Laguna. Os bandidos teriam sequestrado Bento, o levado para o bairro Madre, em Tubarão, onde abandonaram a Mitsubichi da vítima. O grupo o levou para um local deserto em Pedras Grandes e o executou com disparos à queima roupa.

