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Ucraniano é desclassificado por capacete com homenagem a mortos na guerra nos Jogos de Inverno

A desclassificação de atleta ucraniano marcou os Jogos Olímpicos de Inverno nesta quinta-feira (12), em Milão, na Itália. O competidor de skeleton Vladyslav Heraskevych foi impedido de disputar a prova após insistir em utilizar um capacete com imagens de atletas mortos na guerra contra a Rússia.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) alegou que o equipamento violava as “Diretrizes sobre Expressão dos Atletas”, previstas na Carta Olímpica.

COI alega descumprimento das regras

Segundo comunicado oficial, a decisão foi adotada pelo júri da Federação Internacional de Bobsleigh e Skeleton (IBSF), após o atleta se recusar a utilizar um capacete sem as homenagens.

“A decisão foi tomada após sua recusa em cumprir as Diretrizes do COI sobre Expressão dos Atletas. O capacete que ele pretendia usar não estava em conformidade com as regras”, informou o COI.

A entidade afirmou que ofereceu alternativas para que Heraskevych se manifestasse após a prova, mas não houve acordo dentro das normas da competição.

O COI permitiu o uso do capacete durante os treinamentos, que não são televisionados, mas vetou sua utilização na disputa oficial.

Manifestação do atleta nas redes sociais

Após a desclassificação de atleta ucraniano, Heraskevych publicou uma foto com o capacete e escreveu: “Este é o preço da nossa dignidade”.

Ele afirmou que não pretendia criar um conflito institucional.

“Eu nunca quis um escândalo com o COI, e não fui eu quem o criou. O COI o criou com sua interpretação das regras, que muitos consideram discriminatória”, declarou.

O atleta também disse que o episódio acabou desviando a atenção da competição e dos demais participantes.

Reunião com a presidente do COI

Heraskevych foi informado da exclusão após reunião com a presidente do COI, Kirsty Coventry, pouco antes do início da prova.

“Ninguém, especialmente eu, discorda da mensagem; é uma mensagem poderosa, de lembrança”, afirmou Coventry.

Segundo ela, o desafio foi encontrar uma solução dentro do campo de jogo. “Infelizmente, não conseguimos”, acrescentou.

O atleta demonstrou frustração ao comentar que vinha obtendo bons resultados nos treinos e acreditava ter chances de medalha.

Entenda o caso

O capacete continha imagens de atletas ucranianos mortos no conflito, entre eles o patinador artístico Dmytro Sharpar e o biatleta Yevhen Malyshev. Segundo Heraskevych, alguns eram seus amigos.

Porta-bandeira da Ucrânia na cerimônia de abertura, o competidor já havia realizado manifestações anteriores contra a guerra, incluindo um cartaz com a frase “Não à guerra na Ucrânia” nos Jogos de Pequim.

Após o veto, a Ucrânia apresentou recurso contra a decisão, defendendo o uso do chamado “capacete da memória”. O pedido foi rejeitado sob alegação de violação das regras relativas à expressão política.

Outras manifestações barradas

Outro atleta ucraniano, o patinador de pista curta Oleh Handei, também relatou ter sido impedido de usar capacete personalizado com a frase “Onde há heroísmo, não há derrota final”, classificada como slogan político pela União Internacional de Patinação.

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