Carolina Carradore
Tubarão
Transferências de presos, aumento de efetivo, criação de força-tarefa. Essas e outras medidas foram levantadas na tarde de ontem na audiência pública que discutiu segurança pública, no Espaço Integrado de Artes da Unisul, em Tubarão. Todas as promessas feitas pelo secretário de segurança pública do estado, Ronaldo Benedet (PMDB), foram vagas, sem datas marcadas.
A audiência, promovida pela Acit e CDL, foi convocada após dois adolescentes assaltarem uma relojoaria e atirarem em um pedestre. O evento contou com a presença de toda a cúpula de segurança do estado e lideranças da região.
Ficou estabelecido que uma força-tarefa será montada em caráter emergencial como forma de repressão aos criminosos, com apoio do Centro de Operações (COP) da Capital e agentes da Deic. Barreiras serão montadas diariamente, além do reforço da Polícia Ambiental e o auxílio da cavalaria. “Queremos ver policiais na rua para aumentar a sensação de segurança da população”, prometeu Benedet.
Como a intenção é prender bandidos, Benedet garantiu desafogar o Presídio Regional de Tubarão, que ontem abrigava 293 detentos. O diretor do Departamento de Administração Prisional (Deap), Alexandre Brum, estudará o local para onde serão levados os presidiários, mas não soube informar quando isso ocorrerá e nem o número de transferências. Quanto à instalação de câmeras de seguranças, cujo projeto existe há anos, Benedet informou que o pregão para aquisição dos equipamentos ocorre no próximo dia 9, mas também não definiu o prazo para início do funcionamento.
Central de emergência
O secretário de segurança pública Ronaldo Benedet garantiu o aumento do efetivo e de agentes prisionais para Tubarão, assim como sugeriu a criação de uma Central de Emergência para abrigar Corpo de Bombeiros, PM e PC, a serviço da população 24 horas. Ele também não estipulou datas para a chegada de novos policiais.
O apelo de um povo em pânico
A presença maciça de representantes de diversas comunidades de Tubarão prova o quanto a população está insegura e quer cobrar do poder público uma solução. Com a voz trêmula, a dona de casa Telma de Carvalho, 51 anos, usou a tribuna para expor o seu drama e deixou nas mãos do comandante geral da PM do estado, coronel Eliésio Rodrigues, o endereço de sua casa. “Moro no bairro Oficinas e tenho como vizinho um ponto de tráfico. Por três vezes, minha casa foi arrombada. Canso de pedir ajuda à polícia, e agora imploro na frente de todos um auxílio”, lamentou.
O protesto pacífico do aposentado Martinho Zamparetti também marcou a audiência pública de ontem. No canto do Espaço Integrado de Artes da Unisul, uma faixa preta no meio da bandeira de Tubarão representava o luto pelo crescente aumento da criminalidade no município. “Quero mostrar minha indignação contra a violência em Tubarão. A situação está caótica”, reclama. A professora Maria Gorete Machado, moradora do bairro Passagem, questionou as autoridades sobre o reforço do lado social na Área Verde, local considerado de risco. “Lá na comunidade, o bandido é considerado um herói, temos que mudar essa realidade”, alerta Maria Gorete.
Debate
Ações
Na audiência pública realizada ontem, que discutiu segurança pública em Tubarão, o vereador Maurício da Silva (PMDB), presidente do Conselho Municipal de Segurança, enfatizou ações que já estão em prática, como a lei que proíbe menores de 16 anos nas ruas desacompanhados depois das 22 horas e a que proíbe uso de capacete em lugares públicos. Reforçou também o pedido ao Dnit para fechar os viadutos da BR-101 para evitar o uso de droga e prostituição.
Desordenamento
As construções desordenadas foram levantadas pelo vice-prefeito de Tubarão, Luiz Felippe Collaço (PP), representante do prefeito Manoel Bertoncini (PSDB), que está em Brasília. Pepê garantiu que um trabalho de fiscalização será realizado para evitar essas áreas construídas de forma desordenada. Ele também cobrou uma resposta imediata do governo estadual para aumentar o efetivo policial.
Pedidos
O chefe da Polícia Civil do estado, Maurício Skudlark, prometeu mais quatro delegados para reforçar o efetivo da Polícia Civil de Tubarão. O comandante da PM, coronel Eliésio Rodrigues, pediu à prefeitura três cozinheiros ao Batalhão. Assim, ele poderá remanejar os militares que atuam na função para o policiamento ostensivo.