As greves do magistério enfatizaram, principalmente, e com muita pertinência, os baixos salários da categoria. De fato, o professor brasileiro, com curso superior, ganha, em média, menos da metade que outros profissionais com igual escolaridade.
Resolvido este problema a contento, o que infelizmente ainda não aconteceu, estaria resolvido também o problema da baixa aprendizagem? É evidente que não.
Melhores salários são parte da solução. E as instalações, equipamentos, participação dos pais, projetos pedagógicos e outros? Melhores salários, reitera-se, resgatam a dignidade do professor e atraem novos talentos para a área, mas não garantem que os defasados atualizem-se e que os descomprometidos comprometam-se. É preciso também capacitar com foco no desenvolvimento do currículo, e avaliar para ajudar os que tem dificuldades e premiar os que se superam.
A falta de sincronia – entre capacitar, melhor remunerar e cobrar resultados – já produz efeito controverso. Sobram vagas gratuitas para capacitação, inclusive no curso superior, também em municípios com salários acima da média nacional, e com baixo Ideb. Um indicativo de que dificilmente será cumprida a meta de elevar-se a média do Ideb para 6,0 em 2021. A de 2009 foi 4,6.
Os governos precisam tratar o magistério com profissionalismo: formação adequada, salários competitivos, condições de trabalho e resultados. A vocação e o afeto da “professorinha que ensinou o beabá” e do professor no exercício do “sacerdócio”, fundamentais para a boa aprendizagem, não devem ser confundidos com amadorismo ou improvisação. Nem pelos governos nem pelos professores.
O que dá uma ideia do longo caminho a ser percorrido, para adequar a formação de nossas crianças e jovens às novas formas de gestão e de produção da economia, impulsionadas pelas novas tecnologias, e a nova ordem ética que o momento está a exigir.
São condições mínimas para melhorar a vida das pessoas, superar os desvios de caráter, as persistentes e intencionais desigualdades sociais e, para que o Brasil possa ser reconhecido pelos seus e pela comunidade internacional como, de fato, desenvolvido, justo e soberano.
