Angelica Brunatto
Tubarão
Santa Catarina está entre os estados que mais registram mortes devido ao tabagismo. Apenas entre 2006 e o ano passado, mais de 220 pessoas faleceram por conta do vício. No Brasil, no mesmo período, foram 4.625 mortes. E as estatísticas negativas não param por aí. O fumo é a segunda maior causa de mortes por substâncias lícitas e ilícitas. Os homens são a maioria das vítimas (mais de 70%), e quase a metade do número total de mortes no país é de idosos com mais de 60 anos.
Não é apenas o número de óbitos que preocupa, como também o de doenças geradas pelas substâncias tóxicas encontradas no cigarro. A nicotina, por exemplo, aumenta a pressão arterial e o ritmo das pulsações do coração, além de favorecer o aparecimento de coágulos que obstruem os vasos sanguíneos.
Ainda que a busca por maior qualidade de vida seja mais evidente nos dias atuais, muitas pessoas não conseguem largar o vício sem ajuda. Por isso, existem grupos que auxiliam a deixar o hábito. Em Tubarão, há o programa de tabagismo, desenvolvido pela prefeitura.
Coordenado por Rosalva Pinto Galassi, o programa, existente desde 2009, já ajudou muitas pessoas a terem uma vida melhor. A procura por ajuda é grande. Para participar do programa, o interessado pode procurar a Policlínica, do meio-dia às 18 horas.
Precisa de ajuda?
O trabalho desenvolvido por Rosalva Pinto Galassi ocorre desde setembro de 2009. Ela trabalha na ajuda de pessoas viciadas no cigarro. Muita gente a procura para largar o vício. A ajuda vem através de encontros. Os primeiros quatro ocorrem semanalmente e, gradativamente, tornam-se quinzenais e, por fim, mensais. Cada participante recebe uma apostila, que é discutida em grupo. Depois, Rosalva procura a ajuda de médicos, nutricionistas e dentistas para falar sobre os malefícios do fumo. Mas, mesmo com a ajuda, alguns participantes acabam retornando ao vício. Mas a maioria tende a largá-lo de vez. O trabalho de conscientização vai desde palestras ao uso de medicamentos.
Cigarro aqui, não!
Dá para imaginar um empreendimento que proíbe o consumo de cigarros? O ArtHotel, em Tubarão, sinalizou todo o espaço para que nenhum hóspede acenda um cigarro nas dependências do hotel. A ideia surgiu depois que uma pesquisa entre os clientes, feita em 2010, apontou que 95% dos clientes aprovaram a postura do hotel. “É uma tendência, uma questão de contenção de custos”, explica o gerente Anderson Freitas das Neves.
Segundo o gerente, quando um hóspede fuma em um quarto, leva até três dias para que o cheiro saia. “Assim, fica o local fica sem ser utilizado”, justifica. Conforme Anderson, muitas pessoas recusam-se a ficar hospedados em quartos, ou andares, em que há fumantes.
Até o ano passado, dois andares eram destinados a fumantes. Desde o dia 1º de janeiro deste ano, o ArtHotel declarou-se uma área 100% não fumante. Em toda a região, é o primeiro empreendimento do ramo hoteleiro a ter uma postura como esta. Em Santa Catarina, apenas São José, Joinville e Chapecó possuem hotéis que proíbem o consumo de cigarros.
O gerente Anderson mostra que todo o ArtHotel é sinalizado
Tem que ter força de vontade
O aposentado Lourival Hercílio da Rosa, 60 é um dos participantes do grupo antitabagismo de Tubarão. Há quase dois anos, ele não coloca um cigarro na boca. Lourival fumava, pelo menos, três carteiras de cigarro ao dia – o equivalente a 60 unidades. Aos poucos, foi percebendo o quão perigoso era o vício que possuía. Não só para ele, mas também para a família.
Lourival devia decidir-se entre a vida ou o fumo. Depois de um exame médico, descobriu que havia perdido pelo menos 30% de um dos pulmões. Outro problema, ocasionado devido ao vício, foi a perda dos dentes. “Meus filhos e netos pediam para que eu parasse de fumar. Eles não queriam perder o pai tão cedo”, relata.
O vício no tabaco começou cedo. Com 14 anos, já roubava cigarros do pai. “Ele pedia para que eu fosse comprar cigarros, então, eu comprava um maço para mim e outro para ele”, lembra. Até os 58 anos, o cigarro o acompanhava diariamente.
Hoje, não há mais sequer um cinzeiro dentro de casa. A data escolhida para acabar com o vício foi 29 de outubro de 2010. “Nos primeiros dez dias, foi difícil, mas depois tive consciência de que devia parar”, conta.
Sem o cigarro, Lourival afirma que a vida melhorou muito. O que o levou a deixar o hábito do fumo foi apenas a consciência do mal que estava fazendo a si. O pedido dos filhos e netos também colaborou com o abandono. Lourival não usou medicamentos para largar o cigarro, apenas a vontade de agradar a família o levou a conquistar essa vitória.
Lourival conversa com Rosalva sobre os perigos do tabagismo
