Lily Farias
Imbituba
Os trabalhadores do Porto de Imbituba reuniram-se na tarde de sexta-feira para acompanhar as negociações dos portuários em todo Brasil e analisar a possibilidade de uma nova paralisação da classe. Eles cruzaram os braços no dia 22 do mês passado e podem repetir a estratégia na terça-feira da próxima semana. A ideia é pressionar o governo a alterar pontos da MP 595, que muda o marco regulatório dos portos.
Na avaliação do presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga e Descarga nos portos de Imbituba e Laguna, Joares Gonçalves, a medida prejudica a categoria. “O governo quer privatizar a atividade portuária. Queremos abrir mercado de trabalho para todos”, explica.
Diferente da primeira greve, que durou seis horas, desta vez o objetivo dos trabalhadores é suspender as atividades por 24 horas. Caso não haja negociação, a intenção é deflagrar uma greve por tempo indeterminado.
A greve pode ocorrer em 36 portos brasileiros. Caso os portuários não consigam acordo com o governo federal para alterar pontos da Medida Provisória, prometem dificultar a descarga de produtos brasileiros em todo o mundo com apoio de duas entidades classistas internacionais: a International Transport Workers Federation (ITF) e a International Dockworkers Council (IDC).
Milhões em prejuízo
A greve impede a operação de navios de carga e afeta a cadeia logística ligada ao comércio exterior. A estimativa da União é de um prejuízo de R$ 66,7 milhões por cada dia de greve.
Concessão do porto de Imbituba
Desde 1942, o porto era administrado pela Companhia Docas de Imbituba. A concessão acabou no dia 15 de dezembro do ano passado e agora o comando está com a SC-Parcerias, empresa do governo do estado.
Reivindicação da categoria
Na pauta em discussão, quatro pontos são considerados fundamentais pelos portuários. O mais polêmico é que os chamados Ogmos, órgãos gestores de mão de obra, obrigatórios nos portos públicos, atuem também nos portos privados que surgirão caso a medida provisória seja aprovada. A categoria também quer isonomia de custos, isonomia dos estados e manutenção da guarda portuária.

