Existem muitas prisões insuportáveis neste mundo, algumas já não existem mais, outras estão por aí, prontas para receber a quem desobedece à lei. Mas nem uma prisão é tão forte, com paredes tão grossas e tão destruidoras como nossa consciência.
A consciência nada mais é do que o julgamento que nossa mente faz de nossas atitudes em nosso meio. Querendo você ou não, sua mente vai julgar suas atitudes perante fatos que lhe ocorrerem. Dentro de você, há um julgamento, e sua consciência vai determinar o quão mal foi o que você fez.
Quando você faz algo que extrapola seu valor moral, sua mente vai marcar que aquela atitude passou dos limites do que é aceitável em sua consciência. O “peso” que esta ação terá na sua mente vai depender de seus valores morais que se formam junto conosco desde criança. E então fica algo sempre em sua mente “zunindo”, pesando, tirando seu sono, uma prisão com muitos calabouços e muitas formas de torturas.
Agora, imagine que tenha cometido um crime, um crime que vai totalmente contra seus princípios morais. Que em sua ação tenha afetado gravemente outra pessoa que vive, seu efeito propriamente dito, viola leis de um governo.
De repente, os mantenedores da lei estão à sua procura, mas a sua consciência já te achou, só precisou de um momento de aparente paz, para sua mente montar seu calabouço, onde sua consciência vai ficar presa e ali vai residir, te queimando vivo. Sua mente a cada minuto traz as lembranças daquele ato, e se repete a cada momento, como se fosse em filme. Ainda para piorar, você, sem querer ou poder evitar, fica se concentrando nos principais e piores fatos ocorridos.
Como se quisesse fazer sentir cada extremo de seu erro. Você esconde-se da lei e das pessoas, mas, em sua solidão, sua mente passa a ser a pior de todas as companhias, do qual muitos querem fugir, mas que poucas têm tanta coragem.
Uma coisa eu posso afirmar: algum dia você vai ser apanhado, não importa o tempo que levar ou lugar, um dia alguém virá e vai te julgar. O castigo? Será apenas para saciar o senso de justiça de um meio comum de consciência. E te jogarão em uma prisão. Enterrado em corpo por desobedecer teu senso moral e um princípio moral coletivo populacional. Lá está você, preso, junto com outras pessoas que aparentemente fizeram algo parecido como você. Ali você reside, perdeu o maior de todos os direitos do homem: liberdade. Justo, pois sua liberdade foi usada em detrimento de outras pessoas. Sua mente está saciada? Não, ela ainda está aí te correndo, pisando em você, impedindo você de respirar direito. Você está preso sobre duas grades, a prisão propriamente dita e sua mente, obscurecendo sua visão.
Existem pessoas que não sentem culpa? Há. São pessoas que não tiveram uma educação decente, que não se importam em burlar a lei. Não pesa a mente ao fazer mal a outras pessoas, não têm prisão. Não têm moral.
Mas essa prisão mental não tem fim? Tem, um dia que você vai sair de sua prisão física, mas sua mente sempre vai ter aquele ponto gravado em você como se fosse uma cicatriz, ou talvez não, como se fosse uma ferida, uma ferida profunda e tampada com uma fina gaze, que dói e sangra sempre que você toca naquela parte. Aquilo vai fazer parte de você, talvez irá se tornar uma pessoa melhor, isso só depende de você.

