A União Europeia aprovou, nesta sexta-feira (9), o acordo de livre-comércio com o Mercosul. A decisão foi tomada por maioria qualificada dos 27 países do bloco durante votação realizada em Bruxelas, na Bélgica, abrindo caminho para a assinatura formal do tratado nos próximos dias.
Com o aval, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá viajar a Assunção, no Paraguai, para assinar o acordo na segunda-feira (12). O tratado envolve a União Europeia e os países do Mercosul — Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai.
Assinatura não encerra o processo
Apesar da aprovação pelos governos europeus, o acordo ainda precisa passar pelo Parlamento Europeu. A expectativa é que os eurodeputados analisem o texto nas próximas semanas. Somente após essa etapa o tratado poderá entrar em vigor.
As negociações entre os dois blocos se estendem por mais de 25 anos e enfrentaram resistência, principalmente de países europeus preocupados com os impactos da concorrência de produtos sul-americanos, sobretudo no setor agropecuário.
França mantém oposição ao tratado
Um dos principais opositores do acordo é a França. Na quinta-feira (8), o presidente Emmanuel Macron anunciou voto contrário à negociação. Em manifestação pública, afirmou que, embora a diversificação comercial seja necessária, os ganhos econômicos do acordo seriam limitados para o crescimento francês e europeu.
Segundo Macron, o tratado não justificaria a exposição de setores agrícolas sensíveis, considerados estratégicos para a soberania alimentar do país. A posição francesa já gerou atritos diplomáticos e críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, apesar da relação próxima entre os dois governos.
Apoio de Espanha e Alemanha
Por outro lado, países como Espanha e Alemanha defendem o acordo, avaliando que ele amplia as oportunidades comerciais para a União Europeia. O apoio ocorre em um contexto de maior concorrência internacional, com o avanço das importações chinesas e impactos de sanções e políticas tarifárias adotadas pelos Estados Unidos.
Para os defensores do tratado, a aproximação com o Mercosul fortalece a posição do bloco europeu no comércio global.
Maior zona de livre comércio do mundo
O acordo UE-Mercosul prevê a criação da maior zona de livre comércio do mundo, com a eliminação de tarifas sobre mais de 90% do comércio bilateral. A expectativa é de impacto significativo em setores como indústria, agronegócio, serviços e investimentos.
O texto também inclui compromissos relacionados a regras sanitárias, ambientais e trabalhistas, temas que foram pontos centrais das negociações ao longo dos últimos anos.

