Braço do Norte
As ações para a implantação da primeira usina de biogás nacional, baseada em tecnologia alemã, estão adiantadas e Santa Catarina pode ser o primeiro estado brasileiro a produzir o produto por meio do aproveitamento de dejetos de suínos e aves. A expectativa é que no máximo em um ano e meio a produção do “gás verde” seja iniciada.
O lugar escolhido para o investimento da iniciativa privada? Braço do Norte. Na segunda quinzena do mês passado, o governador Raimundo Colombo (PSD) recebeu o diretor presidente da SCGás, Cosme Polêse, e técnicos da distribuidora catarinense para conhecer os projetos que visam a implantação de usinas de biogás no município da Grande Tubarão.
Também estiveram presentes representantes Empresa Catarinense de Bioenergia, uma sociedade de propósito específica (SPE) para viabilizar os projetos de produção do gás verde (biometano).
A escolha por Braço do Norte Não foi aleatória. Região com concentração recorde de suínos no mundo, o Vale representa 9% da produção de suínos catarinense e deve receber investimentos nos próximos quatro anos para implantação de cinco usinas de biogás.
Com projeto pronto e licenciado, a primeira usina será instalada na localidade de São Maurício, onde há uma produção estimada de 11,6 mil metros cúbicos por dia de biometano. O investimento previsto é de R$ 22 milhões.
As outras usinas estão cotadas para ficarem nas comunidades de Cachoerinha (duas unidades), São José (uma) e Pinheiral (uma). Essas localidades perfazem um raio de coleta que apresenta o melhor custo logístico e aproveitariam mais de 80% de todo o dejeto produzido na região.
A usina de São Maurício
A primeira usina de biogás em Braço do Norte será implantada na SC-482, na comunidade de São Maurício. O local terá capacidade para coletar dejetos de pelo menos 25 granjas das proximidades, além de resíduos de frigoríficos e industriais locais.
O empreendimento terá capacidade para processar 700 mil litros de resíduos por dia, com uma geração estimada em 6,8 milhões de metros cúbicos de biogás por ano.
Em quatro anos, com a possibilidade de implantação de mais quatro usinas, a produção pode chegar a quase 100 mil metros cúbicos de gás natural por dia, o equivalente a mais de 5% do gás distribuído pela SCGás atualmente.
Além de apresentar uma nova solução ambiental para a bacia do Rio Tubarão, o biogás produzido será também transformado em energia elétrica e térmica para ser consumida pela própria usina. O gás carbônico gerado será utilizado no abate dos animais e serão produzidos biofertilizantes, que auxiliarão nas atividades das propriedades.
O projeto contempla ainda a utilização de frota de caminhões movidos a BioGNV. Ou seja: o gás gerado pelas usinas será utilizado como combustível nos veículos responsáveis pelo transporte da matéria-prima até as usinas.
O projeto que será implantado em Braço do Norte tem como referência a tecnologia alemã, país que possui 7,3 mil usinas de biogás em operação atualmente.
Biogás no estado
A suinocultura representa 7,5% do PIB catarinense, primeiro estado produtor e livre da febre aftosa sem vacinação. Santa Catarina possui dez milhões de cabeças de suínos, o que representa mais de 20% do plantel nacional. A projeção é que em cinco anos, a produção no estado aumente 60%. Em parceria com a BR Foods e Biogastec do Brasil, a SCGás também capitaneia o desenvolvimento de estudos para viabilizar usinas de biogás no oeste catarinense.
Nos próximos meses, o relatório final dos estudos para implantação de empreendimentos em Faxinal dos Guedes e Concórdia será conhecido. O gás produzido pelas usinas – caso da de Braço do Norte, a primeira a ser implantada no estado – será comprado pela SCGás e distribuído em Santa Catarina.
O consórcio
A Empresa Catarinense de Bioenergia engloba as marcas Engemab Engenharia e Meio Ambiente, F&K Participações, Excelência Engenharia e Sócio Ambiente e TLL. Juntas, formaram com a Biogastec do Brasil uma sociedade de propósito específico que objetiva a implantação de usinas de biogás em território catarinense.

