Ter bom emprego, expressiva conta bancária, casa bonita para morar e outras em locais apropriados para se divertir, boa família, filhos em colégio particular, plano de saúde, enfim, extravasar os limites, aquele tipo de vida que aparentemente todos imaginam e gostariam de alcançar, seria realmente ideal e suficiente para a existência humana? Estes desejos bastariam? Diante disto, como alguém poderia afirmar que não é de todo feliz. Certo? Nem sempre. Há controvérsia. Na verdade, muitas criaturas fazem expectativa extraordinária, espécie de quem cobiça chegar ao topo do sucesso pessoal e profissionalmente, e depois dizer com todas as letras: sonho realizado. Que alegria! Para que isso se torne fato, sem ser regra geral, as cobranças são rígidas e fundamentais desde o começo para o enfrentamento das eventuais adversidades que vão estar presentes na instigante caminhada que cada um terá dia após dia.
Em tudo, nos maiores e menores procedimentos de nossa trajetória, em qualquer circunstância do comportamento variante, o que para alguns simboliza ser primoroso, para muitos pode distinguir literalmente destoante e volúvel. Houve-se muito por aí comentários sobre a condição de certas personalidades do mundo econômico capitalista. Fulano começou pequeno e hoje é considerado um dos grandes empresários, cicrano superou os desafios e venceu, beltrano exemplo de dedicação e perseverança também triunfou. Em tese, pela intrínseca óptica do universo recente, especialmente, isto faz sentido, porque somos seres invariavelmente designados para a conquista não para a inércia, muito menos para aceitar a derrota. Mas será que estamos fugindo dos meandros flexuosos do inconveniente e seguindo pela direção recomendável? Este é um ponto singular que, para muita gente passa despercebido, em face da correria estabanada de atividades intensas, cuja vida exige esforço além do limite da própria natureza do homem.
Assim, os erros surgem de maneira imperceptível, tanto que para facilitar a mente humana tiveram que inventar a memória tecnológica. Estudiosos, antevendo tal situação, recorreram à ciência, que rege o conjunto de conhecimentos dos princípios compassados, à robótica, que avalia as técnicas tendentes capazes de substituírem o homem nas suas funções motoras, sensoriais e intelectuais, e à cibernética, que compreende os mecanismos de comunicação e de controle nas máquinas e nos seres vivos, motivos pelos quais se criaram dispositivos com dimensão elevada visando suavizar, ao menos, os efeitos da transformação velocíssima da máquina e da maluca vida social. Porventura a busca pelo misticismo recorrente, nos tempos atuais, pode servir de válvula de escape dos viventes que tentam, por intermédio do sobrenatural, diminuir a distância que os separa da sórdida opulência terrestre.
O status de preeminência monetária até pode fazer diferença para o ego momentaneamente. Todavia, não descarta a instabilidade para qual somos ordenados. Quem diz ”sou dono disso, daquilo e de outras coisas mais no campo material” não excede de um grande sonhador histérico que vê o mundo girar somente em volta do próprio umbigo. Ninguém é dono de nada. Para os desavisados, a resposta vem dos céus, e de forma bastante explícita: para o Senhor, não é aceitável o jejum de quem não sabe partilhar o próprio pão com o faminto, hospedar o pobre sem teto, vestir a quem está desnudo e socorrer com amor o irmão necessitado. Diante de Deus, estão muitos que distorcem os textos e apresentam uma interpretação errônea. Eles consideram a posse de riquezas como recompensa pela sua vida virtuosa. Então, a resposta de Jesus é dura: “Não podeis servir a Deus e a Mamona”. Pois o que é elevado para os homens é abominável para Deus. Não nos deixemos envolver pela ganância ou pelo indiferentismo em face da miséria do próximo.
Ao rico, é negada a misericórdia no tormento porque não quis usar de misericórdia na sua vida, e quando, entre os sofrimentos, invoca a piedade não é ouvido, porque sobre a terra não acolheu as súplicas do pobre. Seja de coração generoso e saiba livremente partilhar todos os bens que Deus nos concede, sejam eles materiais ou espirituais. Não precisa ser nenhum psicólogo, sociólogo, tarólogo ou teólogo para entender que viver em harmonia espiritual, material e socialmente depende muito do aspecto coletivo, pelo menos por enquanto. Porque fomos concebidos e determinados com custo para o desempenho de um dever neste sistema. A felicidade talvez não seja na mesma proporção, mas, na transição da vida após morte, o sofrimento será para todos igual, milimetricamente, independentemente de riqueza ou pobreza. Não podemos esquecer que, juntos, temos sonhos, esperanças, planos e, principalmente, temos o amor que nos torna capazes de ousar e de acreditar que nossos amanhãs serão brilhantes. Afinal, nossa missão aqui é de ser e fazer feliz. E nada mais!

