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A Vinícola Gaudio, localizada em Urupema, na Serra Catarinense, vem ampliando sua atuação no mercado de vinhos finos de altitude ao investir em inovação, produção própria e experiências voltadas ao enoturismo. Com uma trajetória iniciada em 2021, a empresa aposta na identidade regional para consolidar a propriedade como um destino que reúne vinhos, gastronomia e hospedagem.
O crescimento da vinícola também acompanha a trajetória da gerente Livia Morais, que encontrou no enoturismo uma nova profissão após interromper a graduação em Psicologia durante a pandemia. O contato diário com visitantes despertou o interesse pelo universo da vitivinicultura, levando-a a cursar Sommelier e, posteriormente, a graduação em Viticultura e Enologia no Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), campus Urupema.
“Foi trabalhando com o enoturismo que eu percebi como o mundo do vinho é mágico. Toda safra é diferente, cada vinho é diferente, cada produtor tem sua história. Isso despertou muita curiosidade em mim”, relata.
Vinhedo próprio fortalece identidade dos vinhos
Considerada uma das vinícolas mais jovens da Serra Catarinense, a Gaudio produziu sua primeira safra em 2021 utilizando uvas cultivadas em Urupema. Há cerca de três anos, implantou seu próprio vinhedo, que ainda está em fase de desenvolvimento.
A expectativa é que, nos próximos anos, os vinhos expressem de forma ainda mais marcante as características do terroir da propriedade.
Segundo Livia, mesmo pequenas variações de solo e clima influenciam diretamente no resultado final de cada rótulo.
“Cada localidade produz um vinho diferente. Mesmo dentro do mesmo município, o solo e as condições mudam e isso influencia diretamente no resultado final.”
Enquanto amplia a estrutura de produção, a vinícola também investe no receptivo turístico, promovendo degustações, eventos e experiências que aproximam o público do processo de elaboração dos vinhos.
Nove rótulos compõem o portfólio
Atualmente, a Vinícola Gaudio produz nove rótulos entre tintos, brancos, rosé, espumantes e um dos vinhos que mais desperta curiosidade entre os visitantes: o vinho laranja Tatu Dourado.
Apesar do nome incomum, o método de produção é um dos mais antigos da vitivinicultura. O vinho é elaborado com uvas brancas que permanecem cerca de 45 dias em contato com as cascas durante a fermentação. Esse processo proporciona a coloração alaranjada, além de maior estrutura e complexidade aromática.
“Ele é um vinho muito diferente. A casca traz mais taninos e outros compostos, deixando o vinho mais estruturado. Harmoniza muito bem com frutos do mar, comida tailandesa, moqueca e pratos mais condimentados”, explica.
Entre os tintos, um dos destaques é o Cedro, elaborado com quatro variedades de uvas e maturado por longo período em barricas de carvalho. O rótulo é comercializado em embalagem especial de madeira.
Rosé homenageia ave símbolo de Urupema
Outro vinho que chama a atenção dos visitantes é o rosé Papagaio-charão.
O rótulo surgiu durante uma safra marcada pelo excesso de chuva, quando parte das uvas Cabernet Sauvignon não apresentou condições ideais para a produção de um vinho tinto.
A alternativa foi produzir um rosé, que acabou se tornando um dos destaques da vinícola.
O nome presta homenagem ao papagaio-charão, ave que realiza revoadas na região de Urupema em determinadas épocas do ano.
“Hoje é um dos vinhos mais especiais da vinícola. A coloração lembra detalhes da plumagem da ave, que faz parte da paisagem da nossa região.”
Reconhecimento em concursos especializados
Além da boa aceitação entre os consumidores, a Vinícola Gaudio também vem recebendo reconhecimento em avaliações técnicas.
Na Wine South America, realizada em Bento Gonçalves (RS), diferentes rótulos da vinícola receberam notas entre 90 e 92 pontos, pontuação considerada de excelência no mercado internacional.
Mesmo assim, Livia afirma que o retorno mais importante continua vindo dos próprios consumidores.
“O maior prêmio é quando a pessoa lê o rótulo, cria uma expectativa e, ao provar o vinho, encontra exatamente aquilo que esperava.”
Selo valoriza os vinhos de altitude
Durante a entrevista, Livia destacou a importância da Indicação de Procedência dos Vinhos de Altitude da Serra Catarinense.
Segundo ela, o selo considera diversos critérios além da altitude, como manejo dos vinhedos, características do solo, amplitude térmica, técnicas de produção e rigorosos padrões de qualidade.
“O selo garante que aquele vinho segue um padrão específico e representa as características únicas da nossa região.”
Ela também explica que o inverno rigoroso é fundamental para o ciclo da videira, mas ressalta que geadas fora de época podem comprometer a produção.
“A planta precisa do período de dormência durante o inverno. O problema são as geadas tardias, quando ela já iniciou a brotação. Nessa fase, qualquer frio intenso pode causar prejuízos.”
Enoturismo é aposta para os próximos anos
Entre os projetos da Vinícola Gaudio está a conclusão da estrutura destinada à produção própria dos vinhos dentro da propriedade, além da ampliação do enoturismo.
A empresa pretende implantar cabanas para hospedagem, oferecendo aos visitantes uma experiência completa, com degustações, harmonizações, gastronomia e contato direto com os vinhedos.
A proposta é consolidar a vinícola como um dos destinos turísticos da Serra Catarinense, fortalecendo a produção de vinhos de altitude e ampliando o potencial econômico do turismo regional.

Esta reportagem faz parte do Estúdio de Inverno 2026, projeto dos veículos UNITVSC, portais Notisul e UNITV de Tubarão, Litoral Sul, NotíciasSC e Destaque Santa Catarina, de Criciúma, e das rádios Jovem Pan News de Criciúma, Araranguá e Tubarão.

