A vitória de Olavio Falchetti para a prefeitura de Tubarão era previsível, pelos seus méritos e porque os adversários o ajudaram, talvez mais que os próprios aliados.
Explico: 1) Olavio sustentou teses que os adversários se esforçaram e muito para confirmá-las. Ele disse, insistentemente, que não faz coligação porque incha a prefeitura, diminuindo os recursos para investimentos e porque impede o prefeito de demitir assessores incompetentes – o que atrapalha o desempenho da administração -, pelo fato de serem indicados pelo partido coligado.
Como não é difícil constatar tais situações no serviço público em geral, a tese de Olavio faz sentido. A redução de secretarias municipais, após a assunção do prefeito Felipe Collaço, mostrou que é possível governar com menos cargos, fortalecendo o que disse Falchetti. Mesmo sendo previstas em lei e consideradas imprescindíveis, por muitos, para ganhar eleição, as coligações deste e de outros pleitos, destituídas de afinidade ideológica ou programática, consolidaram o dito de Olavio.
2) O desgaste natural de um grupo político à frente da prefeitura, por três gestões consecutivas; o sentimento de orfandade dos munícipes em situações cruciais como os preventivos de violência, de nova possível enchente, dentre outros; o rol de grandes obras anunciadas, como as pontes, mas não concretizadas – devido, em parte, à falta das negativas – ou em construção, mas sem sintonia com as necessidades dos munícipes, como a Arena Multiuso, cujo valor, quase dobrado, permitiria construir dezenas de quadras cobertas nos bairros, carentes de espaço público para o esporte e cultura; a reforma administrativa bombasticamente anunciada, que não resultou em melhoramento dos serviços à população e os ataques, não respondidos, a gestores e ex-gestores da prefeitura, suscitaram forte sentimento de mudança e colocaram a oposição em franca vantagem sobre a ‘situação’.
E o que fez a ‘situação’ enfraquecida? Dividiu-se em duas candidaturas majoritárias (Stüpp e Pepê), que se atacaram e revidaram, principalmente na imprensa, nos debates e no horário eleitoral gratuito, tornando-as ainda mais frágil. Unida, a ‘situação’ poderia sonhar com vitória, porque Olavio e Edinho dividiam a oposição. Desunida, saiu do páreo.
Olavio constituiu-se no legítimo representante da oposição devido à sintonia do discurso – “não faço coligação” e “não dou uma bala para ganhar voto”, prenunciando viés produtivo e ético – com o que está (va) acontecendo no município.
A coligação comandada pelos dois maiores partidos – PMDB e PP – e mais 9, e 82 candidatos a vereadores, que também se apresentou como oposição, teria chance de vitória se suplantasse Olavio – uma vez que o risco de dividir a oposição e facilitar a vitória da situação estava afastado pela divisão desta -, mas não teve legitimidade nem forças para isto.
O PP participou das últimas três gestões da prefeitura até ser despejado, portanto, não tinha como prometer ‘mudança de verdade’. Fragilizado com a formação do PSD de Felipe Collaço, aliou-se ao PMDB, a quem o seu líder maior agrediu, incansavelmente, e no nível pessoal. Não convenceram parte expressiva das próprias militâncias, nem do eleitorado. O PMDB poderia ser a grande alternativa das mudanças, mas cometeu novos e velhos erros, como o de subestimar o eleitor e correligionários que conferem consistência e credibilidade ao partido.
A situação de Olavio era tão confortável que somente os debates poderiam ameaçá-lo. No entanto, os adversários colaboraram mais uma vez, atacando-se, até no último, na Unisul TV. Nas enquetes publicadas “A pedido”, fizeram luta desesperada pelo 2º lugar, como se houvesse 2º turno em Tubarão. Quando Olavio caiu 9 pontos percentuais, os três, sem estratégia conjunta, dividiram igualmente o espólio (cresceram 3 pontos cada), impossibilitando que algum deles se aproximasse do líder.
Coerente com os anseios de parte expressiva da população e com os adversários se digladiando, não restou a Olavio outro caminho a não ser divulgar as suas propostas e esperar o dia 7 de outubro para ver sua vitória confirmada nas urnas. E foi o que aconteceu. Para o bem dos tubaronenses, desejos de pleno sucesso!

