Letícia Matos
Tubarão
Se você tem acompanhado o noticiário nos últimos meses, certamente já está mais do que íntimo dos termos dengue, zika e chikungunya. Todas são doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, que tem se proliferado com facilidade em diversas localidades pelo Brasil afora. Nesta semana, foi confirmado o oitavo foco do mosquito Aedes aegypti em Tubarão, no bairro Morrotes, às margens da BR-101. A coleta foi realizada em uma armadilha, implantada pelo programa de combate às endemias. Haviam 11 larvas e todas eram do Aedes aegypti.
Este foco foi coletado na última terça-feira e, após confirmação mediante a análise laboratorial, os agentes de endemias fizeram uma varredura em um raio de 300 metros. Nenhum outro foco foi localizado nesse processo. Porém, a equipe do programa conta apenas com sete agentes em campo, logo cada um tem que fazer a sua parte. O alerta é para que todos os cidadãos fiquem atentos aos possíveis criadouros dos mosquitos. É importante que a população se conscientize e acabe com os recipientes com acúmulo de água.
Os vírus que causam a dengue, zika e chikungunya são transmitidos pelo mosquito Aedes aegypti. Elas apresentam sinais e sintomas parecidos, mas têm níveis de gravidade diferentes e não há tratamento específico. Recentemente, o Ministério da Saúde confirmou a relação do vírus zika com o surto de microcefalia em bebês, já registrados em 18 estados do país.
Para se prevenir contra as doenças, vale o uso de repelentes. Existem vários tipos no mercado, que vão desde os cremes para pele até difusores elétricos que emitem substâncias que espantam os mosquitos. Outras estratégias, como instalação de telas em janelas e velas de citronela, também são indicadas.
Focos do mosquito na região neste ano
• A equipe de endemias registrou em Tubarão neste ano um total de oito focos do mosquito Aedes aegypti nos meses de janeiro, março, abril, maio, agosto e o último em dezembro. As larvas foram encontradas em armadilhas nos bairros Morrotes e Vila Esperança.
• 21 de julho – Dez larvas do mosquito da dengue foram encontradas em uma única armadilha no bairro Esperança, em Laguna.
• 9 de abril – Braço do Norte confirma cinco larvas em uma armadilha no bairro Nossa Senhora de Fátima.
• 1º de março – Imbituba registra um foco na Lagoa do Quintino, no bairro Alto Arroio.
• 22 de fevereiro – Braço do Norte registra o primeiro foco nos bairros Trevo, Coloninha e Centro.
Dengue
A dengue é uma doença febril aguda causada por um vírus e um dos principais problemas de saúde pública no mundo. O seu principal vetor de transmissão é o mosquito Aedes aegypti, que se desenvolve em áreas tropicais e subtropicais. Embora pareça pouco agressiva, a doença pode evoluir para a dengue hemorrágica e a síndrome do choque da dengue, caracterizadas por sangramento e queda de pressão arterial, o que pode levar à morte. A melhor maneira de combater esse mal é atuando de forma preventiva, impedindo a reprodução do mosquito.
A Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Dive) informa que de 1º de janeiro a 14 de dezembro deste ano foram notificados 10.912 casos de dengue no estado. Desses, 3.596 (33%) foram confirmados (2.361 por critério laboratorial e 1.235 por clínico-epidemiológico), 6.332 (58%) foram descartados e 984 (9%) casos suspeitos estão em investigação. Do total de casos confirmados, 3.273 (91%) são autóctones (transmissão dentro do estado), 263 (7%) são importados (transmissão fora do estado) e 60 (2%) estão em investigação para definição do local provável de transmissão.
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Zika vírus
É uma infecção viral causada pelo ZIKAV e seus sintomas são vermelhidão no corpo com coceira, olhos avermelhados sem coceira e sem secreção, febre, inchaço e dores nas articulações e de cabeça. Todos os casos confirmados no estado são importados e foram confirmados pelo critério clínico-epidemiológico (após diagnóstico diferencial negativo para dengue, sarampo, rubéola e parvovírus). Estes casos foram identificados em Laguna, Florianópolis, Bombinhas, Gaspar e Pomerode, e o provável local de infecção foram os estados do Maranhão, Bahia, Pará, Paraíba e Sergipe.
Febre de chikungunya
É uma infecção viral causada pelo CHIKV e que pode se apresentar sob a forma aguda (com sintomas abruptos de febre alta, dor articular intensa, dor de cabeça e dor muscular – pode ocorrer erupções cutâneas) e evoluir para as fases: subaguda (com persistência de dor articular) e crônica (com persistência de dor articular por meses ou anos). O nome deriva de uma expressão usada na Tanzânia que significa “aquele que se curva”. Até a última terça-feira, foram notificados no estado 78 casos, dos quais três foram confirmados. Desses, dois foram importados da Bahia e um caso foi autóctone do município de Itajaí.
Sala de Situação
O governo do estado implantou nesta quarta-feira a Sala de Situação para gerenciamento e controle das ações de intensificação do combate ao mosquito Aedes aegypti em Santa Catarina. Trata-se de um sistema de comando de operações formado por equipes de diferentes áreas com funções específicas para o planejamento de metas e estratégias para o combate do mosquito. Além da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive/SC) e da Defesa Civil, representantes das secretarias da educação e da assistência social, do Corpo de Bombeiros e do Ministério da Defesa integram o grupo de trabalho.
Prevenção
O Aedes aegypti coloca seus ovos em água limpa, mas não necessariamente potável. Por isso, é importante jogar fora pneus velhos e deixar garrafas com a boca para baixo. Todo o acúmulo de água é uma ameaça.
• Mantenha a caixa d’água bem fechada e coloque uma tela no ladrão;
• Lave toda a semana com escova e sabão os tanques que armazenam água;
• Remova tudo que possa impedir a água de correr pelas calhas;
• Encha de areia até a borda os pratinhos dos vasos de planta;
• Coloque o lixo em saco plástico e mantenha a lixeira bem fechada;
• Evite a formação de poças de água da chuva.

