Letícia Matos
Tubarão
As medidas anunciadas pelo governo no início do mês para incentivar o parto normal trouxeram à tona muitas discussões sobre o assunto. O número de cesarianas na rede privada é cinco vezes maior que o considerado aceitável pela Organização Mundial da Saúde. Porém, respeitar a escolha da mãe, agora, é a palavra de ordem.
O parto natural na água é uma das variantes, o chamado “parto humanizado” – modalidade em que as intervenções cirúrgicas só ocorrem em última instância. Os futuros pais podem escolher se o nascimento vai ocorrer em casa ou em um hospital, e a mulher não leva anestesia. A prática ficou mais conhecida quando a modelo Gisele Bündchen anunciou que deu à luz seu filho Benjamin na banheira de sua casa, em Boston (EUA).
E, a educadora física Paula Ferreira Nascimento Nunes, de 29 anos, optou pelo parto na água. No início, muitos foram contra por não terem conhecimento no assunto, mas depois ela teve a decisão respeitada. “Meu marido sabia do meu receio de não conseguir ter meu parto natural em Tubarão, onde moramos hoje, e de os médicos desrespeitarem meu plano, mas falava: ‘se der para fazer como tu queres tudo bem, mas, se for necessário de outro jeito’… Eu odiava esta frase, era justamente a mesma que ouvi de três médicos por quais passei”, conta.
Ao descobrir que estava grávida, o primeiro passo foi procurar um médico que apoiasse um parto natural.
O nascimento de Antonella
“O dia 24 de maio de 2014 amanheceu com um lindo sol e eu acordei decidida a parir”. A descrição de Paula emociona as gestantes e as mamães, no diário que fez e publicou em seu perfil no Facebook. Após horas em trabalho de parto, já na banheira e com fortes contrações, ela conta que as sensações são indescritíveis. “O médico pediu que na próxima contração eu não fizesse força. Nesta hora, o Fê, meu marido, estava chorando muito e eu comecei a falar: ‘vem minha filha, vem que estou preparada, vem meu amor’. Naqueles poucos minutos senti uma ansiedade tremenda ao saber que na próxima ela viria, parecia até que estava demorando muito e, assim, sem fazer força alguma, senti ela deslizar aparando-a em meus braços junto com o Fê. Puxei-a para o meu peito rapidamente. Ficamos os três com aquele chorinho gostoso dela, cobertos pela água quentinha, extasiados de emoção. Foi tudo rápido e intenso pra mim que fiquei em êxtase por horas. Tantos medos e inseguranças na gravidez deram lugar ao amor mais puro e me tornaram muito mais forte. Hoje acredito muito mais em mim”.

