quinta-feira, 24 setembro , 2026

Voto no sul e nas reformas

Há exatos 8 anos, afirmei, neste espaço, que a campanha pelo voto regionalizado é digna de aplausos, mas teria que ser repetida a cada quatro anos, indefinidamente, mesmo elegendo numerosa bancada, se as tão faladas reformas estruturais não ocorressem.

Dito e feito. Passados o primeiro e o segundo períodos de quatro anos, e como as benfeitorias ocorrem muito lentamente – duplicação da BR-101, Aeroporto Regional, etc. – devido também às não reformas, as entidades empresariais, agora do sul do estado, estão às voltas com a campanha “Voto Regional – A Força do Sul nas Urnas”.

A atual campanha merece vigorosos aplausos. Consistente, avançou em abrangência ao romper o bairrismo predatório, em especial, entre Tubarão e Criciúma, ao unir entidades empresariais e políticos da Amurel, Amesc e Amrec em torno das demandas da região sul. Associou-se, ainda, ao movimento Prosperidade Sul Catarinense, capitaneado pela Unisul, Unesc e RBS. Este movimento, que confere cientificidade ao diagnóstico e às ações para resolver os problemas da macrorregião, pouco prosperará, contudo, se as reformas política, tributária, educacional, previdenciária, trabalhista, etc., não saírem do discurso.

Com elas, o eleitor seria merecida e altamente beneficiado. Votaria, de forma lógica, nos candidatos do sul, porque o voto seria distrital. Celebraria o fim das coligações esdrúxulas e os rígidos mecanismos de controle do financiamento das campanhas. Teria, no horário eleitoral, a oportunidade de ouvir do candidato a exposição de um projeto e não apenas “música para os ouvidos”. Sentiria alívio na penúria financeira com o fim da centralização dos recursos, em Brasília (64%), que faz dos governos estaduais e municipais pedintes de obras e serviços, ao ficarem com apenas 23% e 13 %, respectivamente, de tudo o que arrecadam, e torna os deputados e senadores meros barganhadores de recursos, dos quais muitos se perdem no foco inadequado, na burocracia, no tráfico de influência e na corrupção.

Poder-se-ia, ainda, com ajuda e fiscalização da sociedade, fazer muito mais, rápido e melhor do que se está fazendo. As empresas poderiam gerar mais empregos e renda, se reinvestissem seus ganhos em vez de vê-los drenados pelas mais altas e improdutivas carga tributária e taxas de juros do mundo, ou serem tentadas à sonegação.

O trabalhador poderia consumir mais e melhor e, consequentemente, gerar mais empregos, se não tivesse que trabalhar cinco meses do ano apenas para pagar impostos, com o agravante de não receber a justa contrapartida em bons serviços públicos de saúde, educação, segurança, saneamento, infraestrutura, etc. A educação privilegiaria o mérito em vez da média, deixando de se constituir numa ameaça ao nosso decantado futuro. A previdência social não seria uma bomba sempre prestes a detonar a qualquer momento ou um castigo para aqueles que trabalharam a vida inteira.

Portanto, tão importante quanto eleger um grande número de parlamentares da região sul, é comprometê-los com as referidas reformas.
Do contrário, estaremos atuando nas consequências e mantendo as causas do nosso preocupante atraso.

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