Zahyra Mattar
Tubarão
Em maio de 2010, o nível do Rio Tubarão chegou a 5,30 metros. Bom Pastor, Madre, Dehon, São João-ME, Morrotes, Humaitá e Revoredo foram as comunidades mais atingidas. Em março de 1974, o nível chegou a mais de dez metros, o dobro.
A cidade ficou submersa. Sobraram poucos locais no centro, no bairro Humaitá e no Monte Castelo com terra firme. Tubarão enterrou 199 filhos. Hoje, a iminência deste episódio repetir-se é maior do que se imagina.
A vulnerabilidade da cidade hoje é superior à de 1974. O alerta foi feito nesta sexta-feira pelo coordenador da Defesa Civil de Tubarão, José Luiz Tancredo, para representantes da Agência Internacional de Cooperação do Japão (Jica). O órgão pode tornar-se parceiro da cidade na formulação de um plano de prevenção.
Os números mostrados por Tancredo foram corroborados pelo membro do Núcleo de Pesquisa em Desastres Naturais (Nuped), Ismael medeiros (leia a entrevista na página 8). O grupo é parceiro na missão de traçar um diagnóstico.
Um dos estudos, por exemplo, aponta que o solo da margem direita é argiloso e o da esquerda arenoso. Resultado: o rio leva o sedimento da margem esquerda para a direita, o que torna a primeira mais vulnerável a deslizamentos.
“Parte disso é reflexo à ocupação da segunda calha pelas árvores e culmina no assoreamento do rio”, confirma Tancredo. A retificação do manancial, feita entre 1978 e 1982, deixou o leito reto. Isto faz com que a água desça com uma velocidade muito maior. Arrasta mais sedimento, galhos.
O projeto de redragagem pensado para ser executado em 2012 pode minimiza os efeitos de uma nova cheia. Mas são necessárias obras complementares, como o corte das árvores na calha secundária, a abertura da barra e conclusão dos molhes, entre outras.
E agora
O projeto de redragagem, do Rio Tubarão será levado para Brasília, no Ministério das Cidades, onde será readequado. Depois, estado e cidades buscarão a verba, confirmou nesta sexta-feira o secretário estadual do planejamento, Filipe Melo, que participou do encontro em Tubarão. A execução do projeto custará pelo menos R$ 80 milhões. Serão removidos 6.831.455,075 metros cúbicos do fundo do rio (dados de 2009). A obra compreende todo o trecho do manancial. São 29,7 mil metros entre a ponte Cavalcantti, no bairro Fábio Silva, em Tubarão, até a foz, em Laguna.

