Início Opinião Zumbiafro: todos os caminhos levam para Gravatal (Caeté)

Zumbiafro: todos os caminhos levam para Gravatal (Caeté)

Prof. Maurício da Silva, Mestre em Educação
mauricio.silva@unisul.br

20 de novembro é o Dia Nacional da Consciência Negra. Nesta data, há 322 anos, foi assassinado Zumbi dos Palmares, líder máximo da resistência contra a escravidão, por meio dos quilombos.
Importante conquista, porque deslocou as reverências oficiais da dita “liberdade dada” (pela Princesa Isabel, no dia 13 de maio de 1888), que acomoda, para a “liberdade conquistada” (pela luta), que mobiliza para novas conquistas.

Decorridos 300 anos de escravidão e mais 129 anos da ‘libertação’, homens e mulheres negros ainda constituem 70% dos pobres, 64% dos encarcerados e 77% dos assassinados no Brasil, segundo o PNAD.

Decorre do fato de mulheres e homens negros serem menos inteligentes? Em palestra magna, na 3ª Conferência Macrorregional sobre Igualdade Racial, em Tubarão, no dia 24 de agosto de 2013, afirmei que dois catarinenses, ícones da intelectualidade brasileira – Cruz e Souza (1861-1898) e Antonieta de Barros (1901-1952) -, provaram o contrário. Ele foi o maior poeta simbolista do Brasil, e ela, deputada estadual catarinense, numa época em que aos homens e mulheres negras eram negadas, também, as letras. Ambos, contudo, receberam educação de excelente nível.
Homens e mulheres negras são vítimas do preconceito – sobretudo no mercado de trabalho, como reconheceram 71% dos brasileiros entrevistados pelo IBGE (2011); com a polícia e a Justiça, como expressaram outros 68,3% – e dos péssimos serviços públicos, principalmente os de educação.

O preconceito impõe custos impagáveis para as vítimas e para a sociedade. As vítimas desenvolvem o autopreconceito e têm dificultados o desenvolvimento e o uso de suas potencialidades, com impacto negativo na escola, no trabalho, na renda e na qualidade de vida. Acabam se tornando pessoas que precisam de ajuda, quando muito poderiam ajudar. A sociedade, que destina cinco dos 12 salários anuais para os impostos, destinará muito mais para que o Estado dê assistência às vítimas ou afaste-as do convívio social. Cada um dos 630 mil brasileiros encarcerados custa, anualmente, R$ 21 mil. Cada um dos 60 mil brasileiros assassinados, em 2016, custa ansiedade e improdutividade. “Empresas com diversidade étnico-racial aumentam a rentabilidade de 35% a 40%” (jornal Folha de S. Paulo, 11/06/2017).

Que se pretende com a Zumbiafro, cuja 25ª edição ocorrerá no dia 19 de novembro, em Caeté (Gravatal)?
Pretende-se que “as pessoas sejam avaliadas pelo caráter, e não pela cor da pele” (Martin Luther King Júnior), por meio do cumprimento de leis conquistadas: 1) Lei n. 13.005, de 25/06/2014, (garante escola de qualidade para todos, desde a Educação Infantil); 2) Constituição Federal – art. 5, XLII (criminaliza o racismo, cujo B.O. deve ser registrado); 3) Lei n. 10.639/03 (resgata a História e a Cultura Afro, que contribuem na formação do povo brasileiro, mas, oficialmente proibidas durante longo período, ainda são inferiorizadas, por isso (auto)negadas, o que aprisiona consciências).
Afinal, “a paz é fruto da justiça” (Campanha da Fraternidade, 2009) e o desenvolvimento sustentável, da inclusão (ONU).

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