Maycon Vianna
Tubarão
Um sorriso irradiante, sincero, puro que aparece com toda espontaneidade. Um sofrimento recompensador de nove meses de espera da mãe. Um pai que não cabe em si de tanta emoção. Cada lágrima derramada contagia os parentes que aguardam este momento tão particular.
Porém, muitas famílias não podem passar por esta sensação única. A alternativa, então, é partir para uma ação bem viável, um gesto especial: a adoção.
A história de amor entre a professora do ensino médio Daiane de Souza Alves Maurício, de 29 anos, natural de Imaruí, e seus pais adotivos, vai muito além do simples fato de não haver qualquer laço sanguíneo entre eles. Ela nasceu às 12h15min. No outro dia, às 7h30min, já estava sob os cuidados e afetos do casal Maria Nazaré de Souza Alves, dona de casa, 53, e Amilton Alves, 58, que hoje trabalha em uma gráfica. “O meu pai foi quem me contou primeiro. As amiguinhas da escola já me falavam. É estranho para uma criança saber aos 8 anos que você não tem ligação genética com a sua família onde vive. No entanto, isso não interfere em nada a nossa relação”, garante.
Daiane ainda não sabe quem é o seu pai biológico. Já a sua mãe congênita mora atualmente em São José, na Grande Florianópolis. “Sei que tenho dois outros irmãos, mas não os conheço pessoalmente, assim como minha mãe biológica. Penso que ela não quer saber de mim”, lamenta.
O incentivo à adoção
Depois de adotar Daiane de Souza, a dona Maria Nazaré acreditava que não poderia engravidar. Tempos depois, ela teve uma emocionante surpresa: ficou grávida e teve mais dois filhos.
Quem também é a favor da adoção é a avó, Gessi Maria de Souza, aposentada, 79. Esta senhora ajudou a cuidar com muita dedicação de sua netinha adotiva. “É uma inspiração de Deus. Sou uma pessoa realizada e recomendo adotar porque é um gesto tão bonito e especial. A Daiane mora no coração de toda nossa família”, confirma Gessi.
Recém-nascida é abandonada pelos pais em Capivari
Uma criança recém-nascida foi encontrada abandonada na varanda da residência de um casal na localidade da Ilhotinha, em Capivari de Baixo, na manhã do último domingo. Segundo informações das conselheiras tutelares do município, a menina esbanja saúde, pesa 3,5 quilos, mede quase 50 centímetros e, de acordo com avaliação médica preliminar, teria nascido na noite de sábado. “Não sabemos quem são os pais biológicos. Ela foi encontrada enrolada em uma camiseta de adulto e em um cobertor e a Polícia Militar nos repassou algumas informações. Acredito que tenha sido o primeiro caso deste fato na história de Capivari de Baixo”, recorda a conselheira tutelar Fernanda Francioni.
As conselheiras acionaram o Ministério Público, que dará o encaminhamento adequado à ocorrência.
“Temos que entrar com uma ação para que esta criança seja colocada à adoção. Já fizemos o registro e vamos protocolar no Fórum da cidade”, detalha o assistente de promotoria de justiça de Capivari de Baixo, Ricardo das Neves Nasário.
A neném está abrigada na Casa Lar do município e aguarda parecer judicial.
Os passos da adoção
Como adotar uma criança?
Dirija-se até a vara da infância e juventude mais próxima de sua casa, com os seguintes documentos: RG e comprovante de residência.
Documentanção necessária
A vara agendará uma data para uma entrevista com o setor técnico. Você poderá selecionar o tipo físico, idade e sexo da criança desejada. Você receberá a lista dos documentos de que a vara precisará para dar continuidade ao seu processo. É preciso cópia autenticada da certidão de casamento ou nascimento, do RG, do comprovante de renda mensal, atestado de sanidade física e mental, atestado de idoneidade moral assinada por duas testemunhas, com firma reconhecida, além do atestado de antecedentes criminais.
Avaliação dos interessados
Até dois meses, uma psicóloga do juizado agendará uma entrevista para conhecer o seu estilo de vida, renda e estado emocional. Ela também pode achar necessário que uma assistente social visite a sua casa para avaliar se a moradia está em condições de receber uma criança.

