Tudo bem que é muito bom ser um hercilista orgulhoso de ter história, títulos, longevidade e carisma, como eu tenho; mas é bom, também, ser atualizadamente vencedor e mais respeitado pelos adversários, últimos quesitos que, infelizmente, nos momentos recentes, não têm contemplado o nosso quase centenário Hercílio Luz Futebol Clube.
Entra ano, sai ano e nada de o time colorado subir para a Primeira Divisão do Catarinense, lugar de onde saiu no século passado e nunca mais voltou.
O clube segue com o nome de Leão do Sul, mas, na verdade, só engatinha, patina, patina e não sai do lugar (tem sido, na maioria das vezes, só um gato manso), perdendo para clubes medíocres, empatando com agremiações inexpressivas e ganhando – de calça na mão – de quem, é claro, em outros tempos, não se admitiria sequer empatar e, muito menos, perder. É bem verdade, também, que em muitos desses momentos faltou aquela velha garra hercilista em campo.
E olha que, administrativamente, quase tudo tem sido tentado pelos heroicos e abnegados hercilistas, uns quase anônimos e outros “cardeais” – todos que, inclusive, têm revezado posições, ora entrando diretorias jovens e renovadoras e, em outras oportunidades, velhas e experientes cabeças pensantes leoninas. E nada de subir!
Tentam de tudo, esforço é o que não falta: num ano, jogam só com “pratas da casa”; no outro, valorizam a experiência, contratando um monte de “sub-40”; no seguinte, formam uma “legião estrangeira”, com “importação” de atletas gaúchos, paulistas ou cariocas e, por último, como nada deu certo, misturam tudo. Enfim, “fazem das tripas o coração” para achar a melhor saída. E, no final das contas, mais uma vez, nada de resultado.
Que coisa! – até parece que tem caveira ou um sapo seco enterrado naquele Anibal Costa; não é possível! É bom o pessoal dar uma cavocadinha por lá, atrás das traves, sei lá!
E outra, se foi mesmo uma praga, como dizem alguns hercilistas – com o que não concordo; olha que foi muito bem rogada e pegou mesmo, já que depois de 1995 o nosso velho e cansado “Leão” tem dado apenas algumas rugidinhas de esperança, nos fazendo, efemeramente, sonhar com a tal “Primeirona”. Esse pensamento de praga é muito ridículo, eu sei, mas que dá para pensar, isso também dá (e praga, minha gente, pode vir de todo lado, até de gente de casa – e de parente, dizem, é pior ainda!).
E vai, por último, que, no fundo no fundo, tudo isso não passa de uma tremenda “paixão recolhida”, cheia de saudades do velho e saudoso rival, o “Ferrinho” de Vila Oficinas, que já foi embora há tanto tempo? – também pode ser, não é mesmo?: tudo pode!
Por um motivo ou outro, o certo é que o time Hercílio não decola e nós – felizmente -, teimosos e fiéis torcedores, vamos ficando por aqui, na espera de mais um ano e que esse seja aquele, finalmente, o da saída do tal “buraco”. Tomara!

