Todos os anos as reuniões da assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU) começam com o pronunciamento de um representante do Brasil. Esse é um fato cuja razão é conhecida por poucos brasileiros.
Esse privilégio, que a ONU outorga anualmente ao Brasil, não decorre de nenhuma regra escrita, mas firmou-se como uma tradição da mais importante instituição multinacional.
A versão mais difundida, e equivocada, atribui essa prerrogativa ao fato de na sessão inaugural da entidade, em 1947, o primeiro orador ter sido o chefe da delegação brasileira, Oswaldo Aranha. Na verdade, o primeiro discurso oficial da história da ONU foi pronunciado pelo representante do país anfitrião, o secretário de estado norte-americano James Francis Byrnes, cabendo ao representante brasileiro a palavra seguinte.
Mas por que teria sido ele o segundo orador, se o Brasil não figurava entre os grandes do mundo? Por um fato ocorrido anteriormente à própria existência formal da ONU. Após a assinatura da Carta das Nações Unidas, em 26 de junho de 1945, em São Francisco, realizou-se, em Londres, em 7 de janeiro de 1946, a primeira reunião preparatória, onde o primeiro a se pronunciar foi o chefe da delegação brasileira, Ciro de Freitas Valle, então embaixador no Canadá.
Como nem Estados Unidos nem União Soviética quisessem iniciar os debates, pois já vinham se confrontando, o embaixador Ciro inscreveu-se, e fez, de fato, o primeiro discurso daquela assembleia. Isso foi lembrado quando da primeira sessão especial da assembleia geral das Nações Unidas, em abril de 1947; e, assim, foi dada a palavra ao notável embaixador Oswaldo Aranha, na condição de primeiro orador.
Decorridos 63 anos, a tradição é mantida, sem nenhuma alteração. Recordo esse episódio, para celebrar o 65º aniversário de criação do Instituto Rio Branco (IRB), que transcorre neste domingo.
Embora os brasileiros não tenham essa avaliação, a nossa diplomacia é conceituada, no seio das nações, como uma das mais capacitadas, profissional e intelectualmente. Ela é, sem dúvida, uma das melhores massas críticas do país!
Criado em 1945, como parte das comemorações do centenário de José Maria da Silva Paranhos Junior, o Barão do Rio Branco, o IRB é um dos melhores centros de formação intelectual do país, cobrindo as vertentes política, comercial, econômica, financeira, cultural e consular, capacitando nossos diplomatas a bem exercer as tarefas clássicas da diplomacia: representar, informar e negociar.
O homenageado, Barão do Rio Branco, foi o formulador da política externa brasileira no início do século 20 e responsável pelas principais negociações fronteiriças do Brasil com seus vizinhos. Foi na sua gestão que várias questões de fronteiras foram efetivamente resolvidas, como a de fronteira entre Amapá e Guiana Francesa, Argentina, Bolívia e Uruguai.
Graças à sua atuação, os contornos do Brasil, como atualmente conhecemos, foram sendo moldados. O Itamarati, como é chamado o nosso Ministério das Relações Exteriores, sentinela avançada no mundo todo, presta um serviço inestimável ao país.

