quinta-feira, 24 setembro , 2026

A inclusão social e a sociedade

Liliane Dias
Jornalista e publicitária

O movimento mundial pela inclusão é uma ação política, cultural, social e pedagógica, desencadeada em defesa do direito de dignidade, sem nenhum tipo de discriminação. Em um entendimento de que igualdade e diferença são indissociáveis, a educação inclusiva fundamenta-se na concepção de direitos humanos, procurando romper com a exclusão social a partir do trabalho desenvolvido com o cidadão dentro da escola.

No Brasil, pelas diretrizes que traçam o Plano Nacional de Educação (PNE, 2010) tem-se com o objetivo “fomentar a educação inclusiva, promovendo a articulação entre o ensino regular e o atendimento educacional especializado complementar, ofertado em salas de recursos multifuncionais da própria escola ou em instituições especializadas” (PNE, 2010, p. 7).

Principalmente a partir desta década, então, as escolas passam a se preparar para esta realidade que, infelizmente, parece se impor só recentemente. Por este motivo, ao reconhecer que as dificuldades enfrentadas nos sistemas de ensino evidenciam a necessidade de confrontar as práticas discriminatórias e criar alternativas para superá-las, a educação inclusiva assume espaço central no debate acerca da sociedade contemporânea e do papel da educação na superação da lógica da exclusão.

Neste contexto, e partindo desta percepção, espera-se que as instituições de ensino, públicos e privados, implantem e/ou ajustem suas instalações e práticas pedagógicas, a fim de suprir as necessidades das pessoas com algum tipo de deficiência. Apesar de que as imposições legais tenham procurado garantir espaços para as pessoas com necessidades especiais, na escola, na universidade, no mercado de trabalho, etc., pais e professores ainda enfrentam sérios desafios no atendimento destas crianças.

Na interação social, os sentidos se misturam em “reciprocidade de ação”, ou seja, reagimos pelos sentidos uns sobre os outros. “No entanto, esses mesmos sentidos são vistos, habitualmente, como a mera base ou condição que suporta a interação social, sem ter um papel especial”, (Serra, p. 121, 2007).

Desta forma, Bordenave (1997), acredita que a descoberta do “homem social” gerou modelos “mecanicistas e pragmáticos emergentes das ciências físicas e naturais”. Porém, não há uma adequação para tais mecanismos “psíquico e social”. Levando a comunicação para a questão de ensino-aprendizagem, ele afirma que as instituições sociais não respeitam a realidade – individualidade do cidadão – e manejam “segundo modelos espúrios”.

Neste caso, “existe uma defasagem entre a descoberta do homem social e o conhecimento de como orientar a vida social em função desse homem”, (Bordenave, P. 9, 1997). Por sua vez, a comunicação se confunde com a própria vida, pois temos tanta consciência de que comunicamos da mesma forma que respiramos ou andamos, que somente percebemos a sua essencial importância quando nos deparamos com a ausência da comunicação.

Hoje, graças ao avanço da tecnologia existem as mais diversas formas de se comunicar. Para Queiroz (2008), “por telefone com uma pessoa surda, apesar desse meio de comunicação ser prioritariamente auditivo; a pessoa cega ou com limitação física severa pode se comunicar via internet”, seja por meio da escrita, leitura ou mesmo navegar por páginas de seu interesse.

As atividades escolares, profissionais e de vida diária das pessoas com algum tipo de deficiência são facilitadas pelo uso de equipamentos e outros meios indispensáveis, que auxiliam o desenvolvimento de suas potencialidades, inclusive na comunicação. “Já é possível assistir televisão, filmes e noticiários, sem que alguém tenha que ajudar a descrever as cenas mudas para um assistente cego ou narrar, por meio de sinais, os diálogos televisivos para uma pessoa surda”, (Queiroz, 2008).

O direito livre de expressão, de ir e vir, votar e ser votado, além dos direitos sociais de educação, habitação, trabalho e saúde estão, até certo ponto, conquistados. O grupo das pessoas com deficiência, no entanto, não usufrui os mesmos benefícios por causa da inadequação do Direito e das estruturas físicas nas cidades e nas empresas para que “se faça valer” essas liberdades e conquistas. Desta forma, consideramos que, Queiroz (2008), acrescenta que devido de fundamental importância a acessibilidade das pessoas com deficiência aos meios de comunicação e informação existentes em uma sociedade moderna, porém, “interesses diversos podem não trazer os avanços esperados, ainda levando as pessoas com deficiência a muitas lutas, inclusive a de se cumprir a própria lei”.

Daí a importância de serem desenvolvidas, cada vez mais campanhas que mencione tal tema, a fim de alavancar novas iniciativas.

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