Sejam quais forem as opções e as configurações que serão escolhidas no curto prazo pelos líderes municipais na ótica associativista, a lição tirada da experiência Amesg reforça a tese de que a cooperação e a integração de esforços é o único movimento capaz de impulsionar os municípios. Esse movimento poderá ser conseguido através de diversas vertentes ou direcionadores de desenvolvimento regional que, porém, para atingirem os objetivos pretendidos, deverão acontecer em simultâneo:
1. Integração dos municípios nas associações já existentes, reforçando os elos históricos dentro de cada uma delas e consolidando as melhores práticas;
2. Cooperação ativa entre as associações do litoral sul – Amurel, Amrec, Amesc – para o desenvolvimento regional, com amplo diálogo com as associações vizinhas, nomeadamente da Serra Catarinense, do norte do Rio Grande do Sul e da Grande Florianópolis;
3. Plataformas políticas convergentes com base em objetivos comuns e coletivos de médio/longo prazo, e não em personalidades individuais políticas – os nomes individuais passam, mas os municípios ficam…
4. Busca de sinergias em torno das características, particularidades, recursos e potencialidades – comuns e não comuns – dos diversos municípios;
5. Formulação de uma estratégia integrada de sub-região, com ações permanentes de monitoramento e de reequacionamento estratégico;
6. Estabelecimento de parcerias ativas dos municípios com os setores público e privado e com as universidades comunitárias;
7. Incentivos a projetos empreendedores, à cooperação universidade-empresa e à transferência de tecnologia, aproveitando os contatos, os recursos e o acervo científico e tecnológico das universidades comunitárias da região.
Bem entendido, as sugestões presentes nos direcionadores acima, pressupõem que tanto municípios como associações municipais aprimorem sua gestão interna e seu “modus operandi” no sentido de tornarem-se mais inclusivas, mais dialogantes, no sentido de uma cooperação regional saudável, sem concorrência redutora dos mais fortes para os menos fortes. Uma vez que só é possível criar sinergias multiplicadoras de prosperidade com diversidade e as opções por estas abertas, a concorrência entre municípios deverá ser substituída por um padrão comum de cooperação e de metas de desenvolvimento. Isso significa um nivelamento “por cima” dos municípios com menor desempenho ajudando-os a atingir o padrão comum, e beneficiando assim a região como um todo.
Fica claro que, perante a pressão desenvolvimentista do norte do estado e do Rio Grande do Sul, a hora é de investir em nosso potencial comum e de colocar no passado o individualismo das lideranças locais: a questão-chave, portanto, não gira em torno de reforçar as identidades e as características das microrregiões, isolando-as das microrregiões vizinhas, mas de agregá-las e colocá-las em movimento, gerando diferenciais competitivos e atraindo investimento.
Com efeito, o caso de insucesso da Amesg veio mostrar que a solução não reside em reforçar as identidades no isolamento e na auto-afirmação primária, mas na formação de uma consciência geográfica mais ampla, mutuamente fortalecida, onde todos ganham e onde todos têm lugar para crescer com suas características e identidades específicas.
Por fim, é de salientar que a inclusão das universidades comunitárias nesse processo é de suma importância, na medida em que, além de seus ativos científicos e tecnológicos – que se encontram ainda longe de ser explorados a favor da comunidade -, elas possuem uma história, um envolvimento tradicional e confirmado e de sucesso com as comunidades onde se encontram, como ficou evidenciado na iniciativa de união e integração Prosperidade Sul Catarinense, promovida pelo anterior governo do estado, onde Unesc e Unisul assumiram abertamente seus papéis no desideratum que lhes compete.
Assim, num quadro desejável de cooperação intermunicipal e inter-associativa, tudo se pode esperar, se os investimentos das associações, dos poderes públicos locais, das empresas e os provenientes dos fundos das agências de fomento aos quais as universidades comunitárias têm acesso, forem multiplicados pelos recursos e potencial humano especializado, profissional e acadêmico, agindo a favor do tão desejado desenvolvimento e fortalecimento do sul de Santa Catarina.

