Víctor Daltoé dos Anjos
Bacharel em Geografia pela UFSC
victordaltoe@gmail.com
Nicolás Maduro empunhou o cetro no trono da República Bolivariana da Venezuela em 2013. Desde então, os malabarismos do intervencionismo estatal, a repressão à oposição em nome da democracia participativa e a manipulação de massas nervosas tem trazido toques dramáticos à ópera cacofônica do “socialismo do século XXI”.
A crise humanitária em solo venezuelano regionalizou suas consequências já no acender das luzes do ano de 2018. Milhares de refugiados têm batido na porta da Colômbia e do Brasil em busca de um prato de comida e alguns goles vitais de liberdade. A governadora do estado brasileiro de Roraima chegou a pedir ajuda ao governo federal, pois a situação na fronteira com a Venezuela e na capital Boa Vista se tornou insustentável.
A política externa brasileira tem como uma de suas principais pautas, constitucionalmente, a defesa dos direitos humanos. Isso deve servir como mote para que o Brasil adote políticas que ofereçam um mínimo de dignidade ao imigrante, mas que também assegure uma transição segura para a democracia nas paragens venezuelanas através dos órgãos internacionais multilaterais. E não se deve cair nas armadilhas que estão sendo deixadas no caminho pelas pisadas em falso do governo populista de Donald Trump. A saída dessa caverna é pela diplomacia e pela democracia, ou é apenas descer mais fundo nesse poço.
A Venezuela não está em guerra com ninguém, mas se encontra em um cenário que recorda assombrosamente um conflito bélico. E isso é ainda mais sinistro. Além disso, o governo da Venezuela se destaca como um dos que abertamente defende os regimes mais autoritários ainda vigentes. O regime bolivariano sempre lança piscadelas para a Coreia do Norte, no seu comunismo jurássico e sociedade abafada, para o Irã, a teocracia islâmica que condena homossexuais à morte, e para a Síria, ditadura nacionalista que se recusa a uma abertura política em meio à guerra civil. Além disso, a Venezuela fornece o petróleo barato que flui como seiva vital nas correntes sanguíneas da ditadura cubana e do governo populista do sandinista Daniel Ortega, na Nicarágua.
Não importa se eles se declaram de direita ou de esquerda. O que os une todos é o ódio antiamericano. Esse é o gás tóxico que fumigam sobre os quintais de seus povos, matando no ninho qualquer esperança de democracia.

