quinta-feira, 19 fevereiro , 2026

Ainda estamos vulneráveis

Priscila Loch
Tubarão

Aproximar-se do rio e ver o nível muito acima do normal sempre foi motivo para pânico entre os tubaronenses. Ontem, este sentimento de angústia era visível no rosto de cada um que se deparava com um contratempo causado pelas chuvas. Em resumo, alagamentos, desmoronamentos, destelhamentos acusaram um grande alvoroço.

Muitos deixaram as suas casas e foram buscar abrigo em locais mais seguros, em lugares mais altos da cidade. Outras levantaram os móveis e apegaram-se à fé para não reviver – ou passar pela primeira vez – uma tragédia como a de 74, que matou quase 200 pessoas (número oficial) e deixou um rastro de destruição lembrado até hoje.

Teve gente que precisou arregaçar as calças e encarar a água, que invadiu as ruas, para chegar em casa ou ao trabalho. Foi um verdadeiro caos. E não se restringiu apenas a Tubarão. Todas as cidades da Amurel foram afetadas e a população ficou apavorada.

Ainda não é possível contabilizar os prejuízos, se é que podem ser contabilizados, tamanho a abrangência da população atingida. Mas uma coisa é certa: todos querem deitar e dormir tranquilos, sem medo de serem surpreendidos por uma enchente…

O que será feito com os R$ 4,9 milhões?

Os projetos de construção de duas estações elevatórias às margens do Rio Tubarão e obras de macrodrenagem, na margem esquerda da cidade têm o objetivo de evitar que novos locais passem a acumular água, já que a obra de duplicação da BR-101 mudou a característica de algumas regiões, caso do bairro Dehon, por exemplo.
A construção das estações elevatórias beneficiará cerca de oito mil famílias. A expectativa é de que seja implantada dentro de três meses, a partir da data da assinatura da ordem de serviço. O investimento será de R$ 400 mil do governo federal e mais R$ 22 mil de contrapartida do município.

A primeira bomba será construída na avenida Padre Geraldo Spettmann, esquina com a avenida Getúlio Vargas (beira-rio – cabeceira da ponte Nereu Ramos), e a segunda na Vila Elisa.
Já a macrodrenagem, que será realizada desde a BR-101 até o Rio Tubarão, deve levar cerca de quatro meses para ser concluída. O projeto beneficiará cerca de 28 mil habitantes (quase 30% da população de Tubarão), moradores dos bairros Humaitá, Dehon, Morrotes, Vila Elisa e Centro.

A obra está orçada em R$ 4,5 milhões e contrapartida do município de R$ 221 mil. A ampliação do sistema de drenagem envolverá a construção de galerias, em uma extensão de 1,49 quilômetro, além da implantação de 15 caixas de ligação e passagem d’água.

Municípios de situação de emergência

Carolina Carradore
Tubarão

Tubarão, Braço do Norte, Imaruí, Treze de Maio, Laguna, Orleans e Jaguaruna decretaram situação de emergência por conta das chuvas. Até por volta das 22 horas de ontem, 45 famílias tubaronenses haviam sido retiradas de suas casas com a ajuda do Corpo de Bombeiros.

A Defesa Civil de Tubarão estima que mais de 200 moradias tenham sido afetadas pelas chuvas. “Muitas famílias saíram de suas casas sozinhas e alojaram-se em casas de parentes, sem a nossa ajuda”, relata o diretor do órgão, José Luiz Tancredo.
Outras 12 famílias, moradoras das proximidades das encostas, também procuraram outros locais para se abrigar. Os pontos mais críticos, onde chegaram a ocorrer deslizamentos, foram nos bairros Monte Castelo, São Martinho e Cruzeiro, Fábio Silva.

Obras de drenagem: Projeto final será entregue hoje

Zahyra Mattar
Tubarão

A maioria dos municípios brasileiros tem problemas ligados à drenagem. Tubarão tem um atraso histórico neste sentido. Claro que não se pode deixar de salientar que as últimas obras de asfaltamento já contemplam as redes de drenagem. Mas é evidente que a cidade precisa avançar mais, e rápido, neste sentido.

O resultado direto da falta de investimentos é a vulnerabilidade da cidade nas intempéries. Até mesmo órgãos como o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil ficam limitados na hora de prestar socorro à população em grandes alagamentos. E isto ficou visível ontem. Parte da solução destes problemas está na execução das obras previstas na margem esquerda da cidade com os R$ 4,9 milhões liberados pelo governo federal ainda no ano passado.

O projeto já poderia ter saído do papel, não fosse alguns problemas de ordem ambiental. Mas existe uma luz no fim deste túnel. Hoje, às 15 horas, o prefeito Manoel Bertoncini (PSDB), representantes da empresa Prosul, do Ministério das Cidades e engenheiros da prefeitura entregam o projeto final da obra de macrodrenagem na superintendência da Caixa Econômica Federal, em Florianópolis.

“Depois disso, estaremos aptos a licitar esta obra”, antecipa o secretário de planejamento da prefeitura, Edvan Nunes, que acompanha a comitiva. “Esta calamidade vista na cidade hoje (ontem) ocorreu justamente nos pontos contemplados nesta obra”, destaca Edvan.
Os recursos, a fundo perdido, são do Ministério das Cidades e serão aplicados prioritariamente na solução dos alagamentos em pontos críticos do município.

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