O avanço dos conhecimentos na área da saúde humana depende essencialmente do uso de animais em atividades didáticas e em experimentos científicos. Apesar de ser um assunto polêmico, é preciso considerar que o objetivo maior da pesquisa biomédica é aliviar o homem de seus males. Ainda que argumentos contrários a essa prática mereçam ser considerados, a proibição do uso de animais em pesquisas científicas prejudicaria todo o processo de desenvolvimento de vacinas e medicamentos, já que os recursos alternativos ao uso de animais em experimentos de laboratório apresentam limitação, além disso, há uma preocupação das comissões de ética de instituições em estabelecer regras e limites ao uso de animais nessas pesquisas.
Há vários registros bibliográficos, os quais revelam que o uso de animais em pesquisas vem sendo feito desde a antiguidade. Estudos biológicos descritivos, sobre a circulação sanguínea em animais e estudos da homeostase por vivisecção ganharam um caráter imprescindível na elucidação da fisiologia, patologia e farmacologia; seus conceitos, até hoje, são usados em prol do bem-estar humano. Os valores íntimos do pesquisador são, talvez, o maior obstáculo ao trabalho com animais. É necessário um penoso processo de supressão emocional em relação ao animal para que se possa realizar qualquer investigação, contudo, a maioria das pesquisas realizadas com animais adequados resulta em informações próximas das que podem ser esperadas em humanos, daí a necessidade, ainda hoje, desses procedimentos. Proibir essa prática prejudicaria seriamente os avanços científicos para a saúde humana.
Os recursos alternativos ao uso de animais em experimentos de laboratório constituem-se de culturas celulares in vitro, simuladores, placenta humana (e outros?). Esses recursos apresentam grande limitação, seus resultados não são satisfatórios dependendo do objetivo da pesquisa, tanto que testes toxicológicos somente usam animais por não existirem, até o momento, métodos alternativos validados para o exame de inocuidade. Outro fator que dificulta o uso desses recursos é o alto custo e, por esse motivo, a indisponibilidade deles.
Pesquisas com experimentação animal necessitam de aprovação do comitê de ética da instituição. Dentre as normas e condutas que devem ser seguidas, está o conjunto de recomendações propostas pelos cientistas ingleses Willian Russel e Rex Burch no trabalho “The principles of Humane Experimental Techinique” de 1959, hoje conhecidas como três R’s: replacement, reduction e refinement que estabelece a substituição de animais por técnicas alternativas quando possível, redução do número de animais usados nos experimentos e treinamento das pessoas que vão trabalhar com estas espécies respectivamente, além do acompanhamento de médicos veterinários e técnicos de biotérios. Além disso, dados biológicos, como o tempo de vida, fases de desenvolvimento, comportamento animal e características reprodutivas, são parâmetros fundamentais a serem dominados pelo pesquisador, para evitar desconforto do animal, ou interferir no trabalho a ser realizado.
Em vista dos argumentos apresentados, resta aos homens, por meio de procedimentos que respeitem a ética, garantir a evolução dos conhecimentos científicos relativos à sua saúde a partir de práticas, ainda que polêmicas, necessárias ao desenvolvimento da ciência.

