Uma arte com cerca de 40 metros de extensão foi desenhada na areia da Praia da Galheta, em Florianópolis, em homenagem ao cão comunitário Orelha. O trabalho foi feito na quarta-feira (28) pelo artista visual Clayton Balduino, conhecido como Reci, e utilizou a técnica de land art, que transforma a própria paisagem em suporte artístico.
O cão Orelha morreu após ser agredido na Praia Brava, no Norte da Ilha, em um caso que gerou grande comoção e mobilização nas redes sociais e na comunidade local.
Arte feita na areia levou mais de duas horas
Ao g1, Clayton contou que atua há cerca de 13 anos com land art, especialmente em praias. Segundo ele, a criação do desenho levou aproximadamente duas horas e meia para ser concluída.
“Fui eu mesmo que fiz a arte e também a captação das imagens. Tudo ali tem a ver com as minhas ideias. Fico muito feliz com a repercussão positiva e por estar contribuindo com essa causa, que acabou se tornando algo global, diante de um fato tão triste”, afirmou o artista.
Natural de São Paulo, Clayton vive em Florianópolis há 11 anos e transformou a Praia da Galheta em seu principal “ateliê ao ar livre”. Ele também desenvolve trabalhos semelhantes na Praia do Santinho, na mesma região.
Inspiração veio do caso do cão Orelha
Segundo o artista, a homenagem surgiu a partir do impacto causado pelo caso do cão comunitário. A proposta, inicialmente, era trabalhar com rostos e buscar um pouco mais de realismo nas obras.
“A proposta era começar a trabalhar com rostos, algo mais livre, mais artístico. Quando me deparei com o caso do Orelha, resolvi experimentar fazer o rosto dele. Estudei a imagem e fiz essa ampliação na areia. O dia ajudou, a praia estava bem grande, tudo colaborou”, explicou.
A obra chamou a atenção de banhistas e rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais.
Caso do cão Orelha é investigado pela Polícia Civil
De acordo com a Polícia Civil, o cão Orelha foi agredido no dia 4 de janeiro, na Praia Brava. Ele foi encontrado ferido por banhistas e levado a uma clínica veterinária, mas não resistiu aos ferimentos. No dia seguinte, devido à gravidade do quadro, o animal precisou ser submetido à eutanásia.
Exames periciais indicaram que o cachorro sofreu um golpe na cabeça com um objeto contundente, sem ponta ou lâmina, que não foi localizado.
A polícia também investiga uma tentativa de afogamento de outro cão comunitário, conhecido como Caramelo, na mesma praia. Imagens mostram adolescentes segurando o animal, e testemunhas relataram que ele teria sido jogado no mar.
Investigações e desdobramentos
Quatro adolescentes são investigados pela agressão ao cão Orelha. Dois deles já foram alvos de uma operação policial realizada na segunda-feira (26). Por se tratar de menores de idade, os nomes e demais dados pessoais não foram divulgados, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
O caso é apurado pela Delegacia de Atendimento ao Adolescente em Conflito com a Lei da Capital (DEACLE). Ainda não há data definida para a oitiva dos adolescentes.
Além disso, três adultos — dois pais e um tio dos adolescentes — foram indiciados por suspeita de coagir uma testemunha. Segundo a Polícia Civil, o alvo seria um vigilante de condomínio que possuía uma foto considerada relevante para a investigação.
