segunda-feira, 16 fevereiro , 2026

As entranhas da privatização dos serviços hídricos (1)

A mudança de um modelo público para um modelo privado nos serviços hídricos foi promovida inicialmente por Margareth Thatcher na Inglaterra e seguido por Ronald Reagan nos Estados Unidos nos idos das décadas de 70 e 80. A proposta neoliberal teve como fundamento ideológico guerrear contra o comunismo.

No final da década de 70, o cenário mundial estava preparado para o surgimento de um regime global baseado na crença de que a economia liberal de mercado era a única alternativa para o mundo todo, inclusive para os países em desenvolvimento. Nesta época, os países do Hemisfério Norte abrem mão do controle de investimentos estrangeiros liberando o comércio, desregulamentando suas economias internas, privatizando os serviços estatais e entram em concorrência acirrada.

Nesta senda, o Consenso de Washington tornou-se o mantra orientador da elite que administra as instituições globais envolvidas no desenvolvimento da água, incluindo o Banco Mundial, o Fundo Monetário e até mesmo as Nações Unidas, segundo destaca (BARLOW, 2009).

Dando sequência ao plano, em 1989, Thatcher privatizou as empresas públicas regionais de água, as quais foram vendidas a preços de barganha. Sem concorrência, as empresas privadas tornaram-se proprietárias não somente da licença de 25 anos para explorarem – administrarem os sistemas hídricos, mas também donas dos patrimônios culturais e naturais de grande significado, bem como de toda a infraestrutura e os prédios. Consequentemente, receberam a liberdade para cobrar o que quisessem, demitir empregados e obter o máximo de lucro possível. Não deu outra, milhares de trabalhadores foram demitidos e houve aumento segundo (BARLOW, 2009) de 147% na primeira década de privatização e a água de milhares de pessoas era cortada por não conseguirem acompanhar o pagamento das altas tarifas.

O fracasso da privatização da água na Inglaterra ficou evidente, contudo, esse foi o modelo exportado para os países em desenvolvimento no hemisfério sul. Thatcher, ao assumir a liderança da privatização do líquido da vida – água -, ajudou a criar várias outras empresas privadas da água, que seriam preparadas, junto com a SUEZ e a VEÓLIA para entrar no mercado privado internacional. A empresa mais notável nesta manobra foi a Thames Water, comprada pela gigante alemã RWE em 2002, nascendo aí a RWE Thames, que se tornou a terceira maior corporação de água do mundo.

Fato curioso é que, na década de 80, o Banco Mundial abandona a sua política de desenvolvimento nacional no Hemisfério Sul e impõe uma nova política de desenvolvimento, principalmente aos países pobres, onde o foco é o modelo econômico do Consenso de Washington. Não havendo outra(s) alternativa(s), pois a maioria desses países havia pego dinheiro emprestado a juros baixos e tendo em vista o aumento proposital das taxas de juros, não conseguiram honrar o(s) cronograma(s) de pagamento com o Banco Mundial.

Agora com este fato, os países do hemisfério sul estavam nas mãos dos controladores do Banco Mundial e foram convencidos a negociar (os países desenvolvidos controlam o Banco Mundial e têm poder de voto proporcional ao valor que investem no banco a exemplo dos Estados Unidos seguidos de Japão, Alemanha, Reino Unido e França). Por sua vez, o Banco Mundial concordou em renegociar os empréstimos com a condição de que os países interessados pela renegociação passassem por programas de ajustes estruturais que entre outros quesitos, exigiam a venda de empresas e concessionárias públicas e privatização de serviços públicos essenciais como a saúde, educação, eletricidade e transportes, etc. – segundo BARLOW, apesar dos sacrifícios monumentais, a dívida do Terceiro Mundo cresceu 400% desde 1980.

Era apenas uma questão de tempo até que os serviços de água e saneamento fossem alvo de privatização. No início da década de 90, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e outros bancos de desenvolvimento, incluindo os bancos de desenvolvimentos africanos e asiáticos e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, estavam estimulando os países pobres a permitirem que as corporações europeias de água administrassem seus sistemas hídricos para gerar lucro. Por consequência, a capacidade de um país escolher entre sistemas hídricos públicos ou privados ficou comprometida, tanto que em 2006, a maioria dos empréstimos para a água eram condicionados à privatização. Segundo o órgão Public Services International, houve um aumento de 800% nos usuários de serviços hídricos africanos, asiáticos e latino-americanos que compram água de empresas transnacionais. (Continua na edição de amanhã).

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