A greve do magistério público estadual de Santa Catarina está sendo singular. Um movimento organizado, coerente, pacífico e, acima de tudo, legal sob todos os aspectos. Nas diversas regiões do estado, ocorreram manifestações em desagravo às péssimas condições de trabalho dos profissionais da educação, aprofundadas por uma proposta de achatamento salarial vergonhoso. Tomamos as ruas para demonstrar a sociedade nossa insatisfação com todo esse quadro dantesco em que estão mergulhadas nossas escolas. E como resposta recebemos o apoio da esmagadora maioria de populares, os quais muitas vezes nos acompanharam nos atos, demonstrando ser essa uma luta de todos por uma educação de qualidade para todos.
O momento mais emocionante de toda jornada, com certeza, foi a caminhada iluminada. Quando centenas de pessoas, numa noite fria, empunham suas velas e caminham pelas ruas de sua cidade, cantando, pronunciando palavras de ordem denunciando o abandono, o efeito de sensibilização torna-se inevitável. Ver as pessoas irem até suas varandas ou sacadas observarem surpresas o que estava acontecendo foi comovente. Afinal, não era semana santa nem dia do padroeiro. Mas era a luz do conhecimento, essa chama incessante e irradiadora de esperança, a iluminar a vida de nossos alunos, que pedia passagem. Uns aplaudiam, outros faziam sinais positivos quando não se uniam ao caminhar, engrossando o coro uníssono pela valorização do educador.
As luzes parecem ter sido um prenúncio de dias melhores. Como farol a conduzir navegações a mares menos revoltos, iluminaram as mentes para um diálogo possível. De forma madura e democrática, marcamos mais um episódio positivo na história catarinense. Sentaram-se à mesa sindicato e governo, não como inimigos, mas como parceiros afoitos por uma solução racional e exequível para um problema tão emblemático como a precariedade da área educacional. A solução está longe de ser imediata. Ainda serão necessários muitos debates e estudos. Mas abriu-se uma porta para o futuro. Havendo concessão de ambos os lados, a possibilidade de avanços é concreta.
Assim, será virada mais uma página dessa luta. Com a greve chegando ao fim, é urgente olhar para frente e vislumbrar um futuro promissor. Professores mais valorizados, refeitos de sua dignidade, poderão intensificar suas ações educacionais, construindo uma pedagogia revolucionária, capaz transcender os limites da existência. Avista-se um aluno cidadão, pleno em intelectualidade porque agente da própria história, municiado por sua autonomia. Iluminado pela vela do saber guiará sua gente para caminhos melhores, superando as desigualdades sociais, a destruição do meio ambiente e a intolerância. Manter a chama da educação acesa é lançar luz sobre o obscuro presente de incertezas.

