Acontece mais uma vez a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (Souc-2011). Com o tema “Unidos no ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações” (At 2,42), pretende-se promover a unidade entre irmãos de fé, mostrar que a fé cristã possui centros comuns como, por exemplo, os apóstolos, que foram responsáveis por compilar os ensinamentos de Jesus Cristo. Sem dúvidas, a Souc é e sempre será um grande marco na busca pelo diálogo ecumênico.
Para bem celebrar essa semana, que acontece entre os dias 5 e 12 de junho, cabe refletir sobre as motivações que levam a uma atitude ecumênica hoje. Inspirados no Evangelho de São João (17, 21) “que todos sejam um”, como motivação, parte-se do princípio de que o ecumenismo é, antes de mais nada, uma atitude de fé: sem fé não há uma prática ecumênica consistente. E mais, só existe busca de reconciliação onde existe desarmonia.
Para que aconteça o ecumenismo, hodiernamente são necessárias três atitudes motivacionais fundamentais e também de conversão: a) do coração (ecumenismo da caridade); b) da inteligência (diálogo doutrinal); c) confessional (atos eclesiais de reconciliação).
Ser ecumênico não é ser um expositor de ideias, trata-se de um espírito dialogal (interpretação de si e escuta do outro), da formação de uma cosmovisão ética, formando uma vida de comunhão.
Pode-se dizer que é urgente, hoje, para que aconteça um verdadeiro diálogo (caminhar juntos na verdade), convicção acerca dele (serviço à Igreja para que realize sua natureza de comunhão), conhecer a história e a doutrina dos irmãos na fé em outras igrejas, rever o pensamento teológico, a espiritualidade, a ação pastoral, estar em sintonia com o movimento ecumênico…
Navegando pela história, percebem-se dificuldades de longas datas. A primeira grande divisão foi no século 5, quando os Patriarcados de Alexandria, Antioquia e Jerusalém não aceitaram as decisões do Concílio de Calcedônia (451). Depois, no século 9, a crise do Patriarca Fócio aparece quando ele, junto com os teólogos, opõe-se à inclusão do Filioque no Credo e, principalmente, rejeitando a interferência romana na eleição patriarcal. No ano 1054, se dá a ruptura definitiva entre as igreja do oriente e do ocidente. Essa se deu, basicamente, por diferença na autoridade. Num gesto bastante marcante, no encontro em 1965, Paulo 6º e Atenágoras 1º de Constantinopla retiraram as sentenças de excomunhão.
Passos significativos foram sendo dados ao longo da história: reflexão teológica, espiritualidade e organismos fizeram com que o Concílio Vaticano II traçasse caminhos de como fazer o ecumenismo (renovação, oração, conhecimento mútuo, formação, modos de exprimir a doutrina, cooperação…).
Hoje, o ecumenismo no Brasil é fato e alguns resultados já são colhidos, como o reconhecimento entre as igrejas em diálogo, reconhecendo-se como rosto de irmãos. São diferentes, mas da família cristã. A fraternidade foi reencontrada e também o respeito mútuo, voltando-se a valorizar o outro. Também o reconhecimento mútuo do batismo demonstra fortemente a convergência na doutrina cristã entre as Igrejas. Destacam-se também como frutos a espiritualidade comum entre as igrejas e o mútuo apreço entre as lideranças maiores dessas.
Por fim, vale dizer que “A doutrina divide, a ação une” e o Movimento (dinamismo) Ecumênico é fruto do Espírito Santo, ou seja, é também uma necessidade da igreja e não gosto ou opção pessoal.

