Rafael Andrade
Tubarão
Na primeira audiência pública de segurança social do ano em Tubarão, ontem à tarde, no Espaço Integrado de Artes da Unisul, muitas ações foram levantadas. Autoridades do município, do estado e quase 200 pessoas debateram durante três horas o aumento da criminalidade na cidade.
Em 56 dias de 2010, cinco homicídios foram registrados. Uma média de um assassinato a cada 11 dias. “Se continuarmos assim, vamos chegar facilmente aos 30”, estima o vereador Maurício da Silva, presidente do Conselho Municipal de Segurança.
Duas tentativas de homicídios também já foram registradas. Em um dos casos, segunda-feira, Evandro Luiz Vitorazzi Benedet, primo em segundo grau do secretário estadual de segurança pública, Ronaldo Benedet, foi baleado com um tiro no olho direito.
A família de Evandro espera que ele não faça parte das estatísticas negativas de Tubarão. “Acredito que Deus possa ajudar o meu irmão e livrá-lo desta situação. Que ele volte a ter uma vida normal perto de sua família, de suas filhas”, acredita Kelen Benedet. Evandro está internado em estado grave, na UTI do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão. Ele foi submetido a uma cirurgia para retirada de uma bala da cabeça, disparada por um adolescente após um assalto em uma relojoaria.
A Polícia Civil já tem desvendado três dos cinco homicídios registrados no município este ano. As mortes do ex-presidiário Cristiano da Silva Silvano, no dia 16 de janeiro, e do empresário Euclides Cardoso Júnior, na última sexta-feira, continuam a ser investigadas. “Esperamos chegar aos acusados nos próximos dias”, frisa o delegado Marcos Ghizoni.
Ações sociais com adolescentes
O secretário estadual de segurança pública, Ronaldo Benedet, lembra que um trabalho social, de grande impacto, foi realizado nas cidades de Camboriú e Navegantes. “Lá, a criminalidade estava absurda. Os prefeitos convocaram o apoio das polícias militar e civil, Ministério Público, vereadores e várias entidades da sociedade civil organizada. Foram elaborados vários procedimentos para conter os criminosos e o mais importante: eram os trabalhos sociais com os adolescentes”, explica Benedet. O secretário solicitou que o vice-prefeito, Pepê Collaço, presente à audiência, conheça, de perto, quais os procedimentos foram executados nestes municípios. Pepê disse que visitará as cidades e tentará trazer algumas ações para Tubarão.
Em busca de respostas
Na audiência pública realizada ontem, no Espaço Integrado de Artes da Unisul, o deputado estadual Joares Ponticelli cobrou do secretário de segurança pública, Ronaldo Benedet, “ações antigas que ainda estão sem respostas”.
O deputado lembrou dos policiais militares de Tubarão que há dois anos foram transferidos provisoriamente para a Penitenciária Sul, em Criciúma. “Foram mais de 20 profissionais que foram com a promessa que retornariam no mês seguinte. Só que ainda estão lá, desfalcando o nosso efetivo. Quando eles virão?”, indaga Ponticelli.
A questão salarial dos policiais também foi levantada pelo parlamentar, assim como a data exata da instalação das câmeras de segurança. “Há anos que falam desses equipamentos. Já foram mais de 30 cidades atendidas e Tubarão ainda está na fila de espera. Também defendo o treinamento da Guarda Municipal e a liberação para uso de arma”, enfatiza.
Benedet garantiu ao Notisul que apenas quatro militares foram transferidos para Criciúma e que já retornaram.
