Quando coordenei o programa do Menor Aprendiz por quase 13 anos, fiz uma das maiores descobertas da minha vida.
Descobri que, durante algum tempo na vida de adolescentes e jovens, as avós são mais importantes, mais adoráveis e donas do coração deles.
Eu entendia aquilo de verdade, porque o contexto e a fundamentação de muitos depoimentos me convenciam desse amor genuíno.
Tive a sorte de fazer essa descoberta antes de a minha filha confessar o seu amor maior pela mamãe. Achei tão lindo. Ela era apenas mais uma entre tantos netos que carregavam no peito um coração batendo por alguém que realmente valia a pena.
Ainda não sou avó, mas quando a filha do meu marido teve a Alice, pude presenciar em Vera uma avó amorosa, bondosa, daquelas que facilmente conquistariam o coração da neta — se não tivesse partido tão precocemente. No entanto, o amor foi plantado, brotou e, até hoje, permanece muito presente.
Tão presente que, para elas, escrevi uma poesia há dez anos, na voz da pequena Alice:
Lilica da Vovó
Vovó Vera tinha uma pele linda e morena
E sua voz era serena
Seu sorriso, um dos mais lindos que eu já vi
Gostava de me mimar
Gostava de cantigas de ninar
Me fazia cócegas
Me fazia gracinhas
Falava comigo com todo amor
Eu até parecia uma flor
Era pequenina e não sabia falar
Mas eu já sabia abraçar
Vovó era amiga de todo o mundo
E agora ilumina o mundo
Eu tenho a Vovó Vera no meu coração
E todos os momentos de muita emoção
Todo o amor que ela me deu
Eu sei que me fortaleceu
Queria que todas as crianças do mundo
Tivessem uma Vovó Vera, pelo menos por um segundo.
Agora chegou Melissa, a segunda neta do Xande — e minha segunda, de coração. Na próxima quarta-feira, embarco para a Alemanha para ajudar a minha enteada e também cuidar desse anjo que chegou para iluminar os nossos dias, assim como Alice iluminou.
Na próxima semana, já terei atravessado o oceano e estarei ao lado de mais um amor das nossas vidas, ansiosa para conhecer e participar deste momento tão lindo.
Porque a vida tem-me mostrado, com delicadeza e profundidade, que o amor de uma avó que não é biológica pode ser tão forte quanto o de uma que é. E que, muitas vezes, deixar tudo para trás não é perda, mas escolha: é priorizar o bem maior que temos — a nossa família.]
Nos vemos nas próximas linhas

