Os benefícios do kefir têm sido cada vez mais divulgados nas redes sociais e consultórios nutricionais. A bebida fermentada, rica em probióticos, é associada à melhora da saúde intestinal, imunidade e até ao controle da pressão arterial. Mas o que é comprovado pela ciência e o que ainda é exagero?
Estudos em humanos e animais apontam efeitos positivos do kefir, especialmente na microbiota intestinal e no sistema imunológico. Por outro lado, especialistas alertam que o alimento não é milagroso nem substitui tratamentos médicos.
Benefícios reais do kefir comprovados por estudos
Um dos principais benefícios do kefir é o equilíbrio da microbiota intestinal. A bebida pode conter até 61 cepas probióticas diferentes, superando o iogurte tradicional em diversidade microbiana.
Essa variedade favorece a digestão, melhora a absorção de nutrientes e aumenta a frequência de evacuações, reduzindo sintomas como flatulência.
Pesquisas experimentais com animais, incluindo estudos conduzidos na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), observaram redução de inflamação renal e diminuição de radicais livres, como superóxidos e excesso de óxido nítrico. Os resultados indicam potencial efeito anti-inflamatório e protetor dos rins.
Em humanos, o consumo diário de cerca de 200 gramas apresentou:
- Melhora do funcionamento intestinal
- Redução de triglicerídeos
- Melhora no controle glicêmico
- Propriedades antibacterianas contra patógenos como Salmonella e E. coli
Também há registros de redução da pressão arterial em hipertensos e melhora de marcadores relacionados ao reflexo de bradicardia.
Revisões sistemáticas publicadas entre 2015 e 2024, com base em bases como PubMed e SciELO, apontam propriedades anti-inflamatórias, imunomoduladoras e potencial anticarcinogênico. No entanto, muitos resultados ainda são preliminares ou baseados em modelos animais.
Nem todo kefir é igual: entenda as diferenças
Apesar dos benefícios atribuídos ao kefir, é importante esclarecer que nem todo kefir é igual. Os produtos industrializados disponíveis no mercado, em sua maioria, não são feitos a partir do grão original do kefir, mas sim por meio de fermentos industriais.
Essa é uma distinção fundamental. Não é correto afirmar que a pasteurização elimina as culturas do kefir, porque, na prática, não existe kefir feito com grão que passe por pasteurização. O que ocorre é que o kefir industrializado, produzido com fermento, já nasce diferente do kefir tradicional feito com grãos.
Diversidade de cepas: por que os números variam nos estudos?
Nos estudos científicos, não há um número único e definitivo de cepas presentes no kefir de grão. Isso ocorre porque cada pesquisa analisa conjuntos diferentes de micro-organismos, dependendo da metodologia utilizada.
Há artigos que identificam cerca de 30 tipos de micro-organismos, outros que apontam 60, e pesquisas mais recentes e abrangentes que já identificaram até 117 tipos diferentes de cepas probióticas no kefir tradicional. Essas variações são comuns na ciência: um estudo que identifica 30 cepas não significa que elas sejam as únicas existentes, mas sim que foram as cepas analisadas naquela pesquisa específica.
Com o avanço das técnicas de análise, novos micro-organismos foram sendo identificados, ampliando o conhecimento sobre a complexidade do kefir feito com grão.
Kefir de grão x kefir de fermento
Atualmente, o kefir industrializado feito com fermento apresenta, em média, no máximo 15 tipos de cepas, número significativamente inferior ao encontrado no kefir tradicional feito com grão. Essa diferença impacta diretamente a diversidade microbiana e, consequentemente, o potencial funcional do alimento.
Por isso, o kefir feito com grão é considerado o kefir artesanal de fato, com qualidade e complexidade microbiológica superiores.
Exemplo no Sul: produção artesanal legalizada em SC
No Sul do Brasil, um dos principais exemplos de industrialização do produto é o Kefir Terra Santa, empresa sediada em Capivari de Baixo, no Sul de Santa Catarina.
Fundada pela nutricionista Lidiane Borges, a marca nasceu a partir da experiência clínica com pacientes que apresentavam desconfortos intestinais e intolerância à lactose.
A proposta foi transformar um alimento tradicionalmente caseiro em produto pronto para consumo, mantendo o uso do grão original do kefir e adotando controle sanitário rigoroso.
Legalização pioneira
A empresa se tornou a primeira fábrica de kefir artesanal legalizada no Brasil sob fiscalização da CIDASC. Também conquistou o Selo SISBI (Sistema Brasileiro de Inspeção de Produtos de Origem Animal), que permite comercialização em todo o território nacional.
Essa certificação reforça que o kefir artesanal feito com grão é muito diferente, em qualidade e composição, do kefir industrializado produzido a partir de fermentos.
No final do ano passado, a empresa também conquistou o Selo Artesanal do Brasil. Com isso, a empresa tornou-se a primeira fábrica de laticínios da Amurel a conquistar o selo, reforçando a força da produção regional e o avanço do mercado de alimentos probióticos feitos com cultura viva.
Onde encontrar e tirar dúvidas
Para localizar pontos de venda, obter informações sobre os produtos ou esclarecer dúvidas, a empresa disponibiliza o site oficial:
Confira a história completa da empresa:
Riscos e cuidados no consumo
Os benefícios do kefir também exigem atenção. Nos primeiros dias, podem surgir gases ou diarreia leve, efeitos geralmente transitórios.
Preparos caseiros sem higiene adequada podem causar contaminação por fungos ou bactérias nocivas. Pessoas imunossuprimidas, gestantes ou com doenças crônicas devem consultar médico antes de iniciar o consumo.
Especialistas recomendam evitar excessos. Quantidades acima de 200 ml por dia podem provocar desconfortos e desequilíbrio intestinal.

