Produção de cachaça artesanal está em ascensão na região e fomenta a economia. Associados da Acapacq foram destaque na Expocachaça 2017 e receberam o reconhecimento da Assembleia Legislativa de Santa Catarina.
Pedras Grandes
Você sabia que a cachaça é o terceiro destilado mais consumido no mundo? E é considerada, por decreto federal, produto cultural do Brasil. Números da indústria da cachaça demonstram que a bebida possui grande potencial para decolar também externamente. Anualmente, o país produz 1,8 bilhão de litros ao ano. Existem mais de 40 mil produtores, 98% são de pequenos e microempresários, gerando 600 mil empregos diretos. Com números tão expressivos, o mercado, de fato, é promissor.
Com aproximadamente cinco mil famílias envolvidas na cadeia produtiva no Estado, os alambiques catarinenses produzem atualmente 300 mil litros da bebida, porém possuem capacidade instalada para produção de seis milhões de litros de cachaça artesanal por ano. Atentos a este nicho, a Associação Catarinense de Produtores de Cachaça e Aguardente de Qualidade (Acapacq) tem investido na produção e conquistou premiações na Expocachaça 2017 realizada no último mês, em Minas Gerais. Considerado o maior festival do setor no país, a associação catarinense conquistou 16 medalhas das 74 destinadas ao produto.
Em solenidade na terça-feira, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina enalteceu os trabalhos dos produtores da associação. Proposta pela Mesa, a iniciativa foi aprovada por unanimidade pelos demais parlamentares.
Aberta pelo presidente do Legislativo, deputado Silvio Dreveck (PP), valorizou o crescimento do setor, pontuando sua importância para economia catarinense.
“Com destaque nacional e internacional, a cachaça catarinense vem conquistando premiações pela sua qualidade e essência. Além de superar produtores de outros estados, Santa Catarina vem aprimorando seu produto e conquistando mercado. Esse é mais um produto genuíno que colocará os catarinenses como referência no cenário brasileiro”, avalia.
Produtores buscam fortalecimento do setor
A produção da cachaça artesanal segue técnicas de quase 500 anos, com o armazenamento em barris para o envelhecimento. Dados de associações e cooperativas apontam um crescimento anual de 15% no consumo e 10% nas exportações da bebida. Mesmo assim, para o presidente da Acapacq Leandro Batista de Melo Silveira, ainda existe muito a ser feito para que o setor continue em desenvolvimento.
Segundo ele, a informalidade ainda domina o setor no país, inclusive em Santa Catarina. Silveira explica que a associação catarinense estima que há 30 mil produtores de cachaça artesanal no Brasil, sendo que desses, apenas dois mil têm seus produtos e empresas registrados. Já em Santa Catarina são mais de dois mil alambiques, com apenas 36 formais. “A iniciativa da Assembleia é um marco na história da cachaça artesanal catarinense”, afirma.
Para o sócio proprietário da Cachaça Imigrante, de Pedras Grandes, Ricardo Sorato, o reconhecimento é uma forma de valorizar e dar visibilidade ao setor. “A cachaça é um patrimônio histórico que movimenta a economia. Nossa associação pretende apresentar projetos ao poder público para dar maior destaque a este produto que faz parte da cultura brasileira”, ressalta.

