De acordo com a Bíblia sagrada, nos escritos do velho testamento, Adão foi o primeiro homem que Deus colocou na terra. Depois de formado o homem, Deus achou que não era bom que ele ficasse só, então fez Adão cair em um sono profundo e, enquanto ele dormia, tirou-lhe uma das costelas e criou, a partir dela, a primeira mulher, chamada Eva. Deus disse a eles que teriam liberdade para comer de todos os frutos do jardim do Éden, exceto os frutos da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Porém, a curiosidade de Eva, atrelada ao poder de convencimento da serpente, o mais astuto de todos os animais, fez com que ela comesse o fruto proibido (e ainda deu uma mordidinha do fruto para o Adão). Deus então os castigou e eles ficaram a mercê dos males, dores e sofrimentos. Seus olhos abriram-se para o mundo e eles poderiam ser acometidos pelos sentimentos ruins e reconhecer os sentimentos bons, afinal, o fruto proibido era proveniente da árvore do conhecimento do bem e do mal.
Já na mitologia grega, a primeira mulher a pisar na terra foi Pandora. Ela foi oferecida de presente por Zeus (o mais poderoso dos deuses do Olimpo) para o titã Prometeu. No entanto, Prometeu não aceitou o presente, temendo que fizesse parte de algum plano vingativo da divindade contra a humanidade, pois ele havia roubado o fogo do Olimpo e dado de presente aos homens, para que pusessem controlar a natureza, deixando o Deus grego enfurecido. Sem sucesso com Prometeu, Zeus resolve oferecer o presente para Epimeteu, irmão de Prometeu.
Contrariando os conselhos de Prometeu, que tinha alertado o irmão para que não aceitasse nenhum presente oferecido pelos deuses, Epimeteu aceitou a oferta de Zeus, visto que estava hipnotizado com a beleza de Pandora. Antes de ser enviada à Terra, Pandora recebeu de Zeus uma caixa e uma recomendação: nunca abrir o objeto. Dentro da caixa, os deuses colocaram todos os sentimentos ruins, males do mundo e apenas um sentimento bom – a esperança.
Sem saber o que a caixa continha, Pandora resistiu bravamente à curiosidade, até que um dia seu instinto falou mais alto e ela abriu o objeto. Libertou, sem saber, os males do mundo: dor de cabeça, bico de papagaio e político corrupto, entre outros. Quando percebeu o que tinha feito, Pandora fechou a caixa rapidamente para que todos os males não saíssem e tomassem conta da Terra.
Mas já era tarde, e somente um sentimento ficou preso – a esperança. A mitologia não conta se a esperança conseguiu escapar da caixa ou continua presa. Onde estará a esperança? Certamente, Zeus ao recomendar a Pandora nunca abrir a caixa, estava atiçando a sua curiosidade, pois na verdade ele queria que ela abrisse e libertasse os males para poder concluir seu plano de vingança contra a humanidade.
Já na história de Adão e Eva, os males são o resultado do pecado original, cometido pelo homem ao desobedecer um pedido de Deus. A semelhança nos dois casos está na ordem do surgimento da primeira mulher e na proibição. Tudo que é proibido se torna mais atrativo e aguça a curiosidade humana, independente de ser homem ou mulher.
Torna-se ainda mais instigante no caso de crianças e adolescentes.
A caixa de Pandora é, na verdade, um mito, uma história que nunca existiu realmente. No entanto, podemos tomar como exemplo da história para nossas vidas, o fato de nossos corações, na maioria das vezes, estarem abertos somente para libertar os sentimentos ruins, deixando enclausurados os sentimentos bons. Carregamos dentro de nosso peito a verdadeira caixa de Pandora, e cabe a cada pessoa a missão de libertar a esperança presa dentro de seu coração. Como diz o ditado popular: “Enquanto houver vida, há esperança. E a esperança é a última que morre”.

