Li, com particular atenção, o texto do senhor Lindomar Tournier, na edição do dia 6, deste jornal. De modo muito oportuno e com louvável preocupação, comentava a respeito de algumas questões que incomodam e angustiam cidadãos de Tubarão. Com particular ênfase às calçadas dos passeios das vias públicas da cidade: a precariedade de umas e a absoluta ausência de outras. Em tom de desabafo (ou indignação), diz, em certo momento, ser “caso de polícia”. Não sei se chega a tanto, seu Lindomar, mas que deve andar perto, deve. Tenha certeza, porém: muitas pessoas devem partilhar de suas angústias e preocupações e, ao manifestá-las publicamente, chama a atenção para essas questões e instiga as pessoas à reflexão e a cobrança de melhorias. A propósito: no dia 8 de novembro passado, foi publicada por este jornal uma crônica – excelente, por sinal, e que deveria ter sido lida por todos nós – do jornalista e professor Laudelino José Sarda, sob o título “Vamos florir Tuba-Nharô”. Em resumo, faz uma rápida radiografia de como vê a cidade em seu aspecto visual – que deixa a desejar – e sugere aos gestores públicos e entidades de classe a se unirem e convocarem a sociedade para promoverem uma “virada” para melhor. Faz algumas referências pontuais, como margens do rio e a avenida. A união, ao que parece ainda não aconteceu. Mas, coincidência ou não, em dezembro as margens do rio receberam capina e a avenida, flores – que, a rigor, seria de esperar-se tivesse acontecido no início da primavera. Mas, vá lá.
Retornando, então, à questão das calçadas dos passeios das vias públicas. Efetivamente, motivos de preocupação não faltam com relação a esse particular. Muitas delas são verdadeiros absurdos. Algumas chegam a ser verdadeiras armadilhas para o pobre e desprestigiado pedestre. Calçadas com declividades em desacordo com recomendações técnicas e/ou normas, outras com acabamentos superficiais inapropriados ao trânsito destes. E por aí vai.
Alguns exemplos são bem ilustrativos dessa desconfortante situação. Mas tomemos como referência o caso da avenida Marcolino M. Cabral, trecho compreendido entre o hospital e o bairro Passagem. É absurdo o que vem acontecendo ali. Em espaços que deveriam ser destinados exclusivamente a passeios, canteiros e ciclovias, há anos vêm sendo construídas áreas de estacionamento de veículos. E com o agravante: não há um padrão; cada uma concebida segundo a visão de quem a constrói. Aliado a isso, soma-se outro fator: a absoluta ausência de disciplina no uso dessas áreas. Cada motorista estaciona onde e como melhor lhe convém, ignorando solenemente o pedestre, obrigando-o a se esquivar por entre os veículos. Por vezes, levando-o a ter que adentrar na faixa de rolamento, expondo a riscos sua integridade física – quando não a própria vida. É de perguntar-se: e se o pedestre for uma criança, um idoso ou uma pessoa com necessidades especiais?
Hoje, a avenida encontra-se constrangedoramente pontuada por esses “estacionamentos”, quando a realidade poderia ser bem diferente. E seguramente para muito melhor, caso houvesse sido observado projeto de urbanização existente, ainda do tempo da administração do ex-prefeito Estêner Soratto da Silva, salvo engano. Exemplo disso é o trecho situado em frente ao supermercado Giassi. Ou alguém discorda?
Decepciona ver a avenida nessa situação, o que sugere a ideia de atraso e desgoverno, quando deveria ser um local seguro, aprazível e acolhedor. Uma referência positiva para todos nós aqui residentes e para o forasteiro que por aqui passa ou visita. E com ganhos para todos: qualidade de vida para seus moradores e econômicos e financeiros para o comércio e serviços. Afinal, recentemente a cidade foi considerada pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro como a 56ª melhor do país para se viver. E queremos que ela seja ainda mais humana e melhor.

