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O número de mulheres investidoras na Bolsa continua crescendo no Brasil e também em Santa Catarina. Dados da B3 mostram que, em 2025, cerca de 55 mil novas mulheres passaram a investir em renda variável, elevando o total para 1.436.232 investidoras ativas, o equivalente a 26% dos investidores cadastrados na Bolsa brasileira.
Desde 2021, o avanço acumulado chega a 41%, indicando uma tendência consistente de maior participação feminina no mercado financeiro.
Santa Catarina acompanha expansão das investidoras
O crescimento também aparece no cenário catarinense. Em 2024, Santa Catarina registrava 62,6 mil mulheres investidoras em renda variável. Em 2025, o número subiu para 64,6 mil, um aumento de 3,13%.
Segundo especialistas do setor, a ampliação da presença feminina reflete uma mudança cultural e maior interesse em diversificação financeira e independência econômica.
Para o líder regional da XP no Sul, Renato Sarreta, os números vão além de estatísticas.
“As mulheres demonstram interesse por diversificar as suas finanças, um comportamento que reflete a busca por segurança financeira, independência e a possibilidade de aumentar a renda. Isso mostra que não estão apenas chegando ao mercado; estão construindo trajetórias sólidas no longo prazo”, afirma.
Ele destaca que educação financeira e orientação profissional têm papel importante nesse movimento.
Educação financeira impulsiona novas investidoras
Entre os fatores que explicam o crescimento das mulheres investidoras na Bolsa, especialistas apontam a expansão de iniciativas voltadas à educação financeira.
Cursos online, programas educativos e conteúdos especializados têm ajudado mais pessoas a compreender conceitos como risco, retorno e diversificação, ampliando a confiança para iniciar investimentos.
“Isso aumenta a confiança para começar e ampliar a jornada de investimentos”, explica Sarreta.
Digitalização facilita acesso ao mercado
Outro fator relevante é a digitalização das plataformas de investimento.
Hoje, aplicações em fundos de investimento, ETFs e títulos públicos estão mais acessíveis, permitindo que investidores iniciantes com diferentes perfis e orçamentos participem do mercado de capitais.
Esse avanço tecnológico reduziu barreiras históricas e ampliou o acesso ao universo da renda variável.
Assessoria profissional ganha importância
A atuação de assessores de investimentos também tem se tornado mais relevante para quem está começando.
Segundo Sarreta, esses profissionais ajudam a desmistificar o funcionamento da Bolsa, orientar estratégias e definir alocações alinhadas aos objetivos de cada investidor.
“Assessores e consultores têm oferecido orientação personalizada para novos investidores, ajudando a definir planos compatíveis com os objetivos individuais, especialmente para quem está iniciando”, explica.
Mais mulheres também atuam no mercado financeiro
O avanço feminino não ocorre apenas entre investidores, mas também nas carreiras do mercado financeiro.
Dados da Associação Nacional das Corretoras de Valores (Ancord) indicam que o número de mulheres atuando como assessoras de investimentos cresceu 185% em cinco anos.
Em 2020 eram cerca de 2 mil profissionais, número que chegou a 5,7 mil em 2025. Atualmente, elas representam 21% dos 27,5 mil assessores registrados no país.
Trajetória de catarinense simboliza transformação
Entre as histórias que representam esse avanço está a de Maria Ronisia Bezerra, de 40 anos, assessora de investimentos que atua na Grande Florianópolis.
Natural do interior do Ceará, ela sempre teve interesse pela área financeira. Em 2004, mudou-se para Santa Catarina para cursar Gestão Financeira em Joinville, enfrentando uma viagem de mais de 3,5 mil quilômetros de ônibus para iniciar a graduação.
Após anos de preparação, ingressou na XP em 2021, integrando o projeto de regionalização da empresa.
Hoje, Maria gerencia a carteira de cerca de 170 investidores em Florianópolis e em outras cidades onde já atuou.
Segundo ela, a presença feminina no setor tem crescido de forma consistente.
“Percebo que as mulheres vêm ampliando sua presença e protagonismo nesse setor tão inspirador, fortalecendo um cenário cada vez mais plural e representativo”, afirma.
Para Sarreta, o crescimento simultâneo de investidoras e assessoras cria um ciclo positivo para o mercado financeiro.
“Mulheres investem, mulheres orientam e o mercado se torna progressivamente mais representativo, com profissionais altamente competentes que elevam o potencial do setor.”

