Brasília (DF)
A Controladoria Geral da União (CGU) apontou indícios de irregularidades em 23 obras subordinadas ao Ministério dos Transportes, segundo dados de fiscalizações realizadas entre 2004 e 2011. O valor dos contratos chega a R$ 2,8 bilhões.
O trabalho da controladoria teve início antes da saída do ministro dos transportes Alfredo Nascimento (PR-AM), que deixou o cargo na última quarta-feira, após o escândalo sobre um suposto esquema de superfaturamento em obras envolvendo servidores e a cúpula da pasta.
Também na última semana, todas as licitações do Departamento Nacional de Infraestrutura em Transportes (Dnit) e da Empresa de Engenharia, Construção e Ferrovias (Valec), outro órgão vinculado ao Ministérios dos Transportes, foram suspensas por pelo menos 30 dias.
Conforme o relatório da CGU, 11 obras do Dnit, das quais sete são rodovias e quatro são de hidrovias. Não foram especificadas quais são estas obras e em que estados são executadas. Na maior parte dos contratos, os pagamentos não correspondem ao que foi realizado pelas construtoras.
As outras 12 obras com irregularidades são de responsabilidade da Valec. A maioria diz respeito a construção de trechos da Ferrovia Norte-Sul e somam quase R$ 2 bilhões. Há indícios de superfaturamento e pagamento por serviços não realizados.
Os computadores do diretor afastado do Dnit, Luiz Antonio Pagot, do ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves, e do ex-chefe de gabinete do Ministério dos Transportes, Mauro Barbosa, foram apreendidos e estão sob analises da equipe da CGU.
Maggi recusa assumir o Ministérios dos Transportes
O senador Blairo Maggi (PR-MT – foto) decidiu recusar o convite da presidenta Dilma Rousseff para assumir o cargo de ministro dos transportes. Com isso, a cúpula do PR deverá se reunir nesta semana para chegar a um consenso em relação a um novo nome.
Segundo a assessoria de imprensa do senador, a avaliação é que, se assumisse o cargo, o parlamentar teria problemas de conflito de interesse. A decisão deve ser oficializada à presidenta Dilma nesta segunda-feira. Enquanto o nome de um novo ministro não é formalizado, o secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, ocupa o cargo interinamente.
Apesar de também ser filiado ao PR, partido que comanda o ministério desde o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Passos não reúne apoio político suficiente para se manter na vaga. O ex-ministro Alfredo Nascimento (PR-AM) demitiu-se na última quarta-feira devido a denúncia de corrupção que envolveria um esquema de cobrança de propina organizado pelo seu partido.

