Não só o “mocinho” dos famosos filmes de faroeste da época fazia sucesso no Cine Vitória; a magnífica casa de filmes dos irmãos Althoff era, também, um espetáculo mais que especial. Era tão importante para o lugar que quase virou nome de rua. Mudou, na boca do povo, a passarela da cidade, de São Manoel para “Rua do Cinema”. E pegou para sempre!
A afinidade do “Vitória” com a população tubaronense começou em 30 de março de 1946, quando o antigo sonho da família Althoff saiu do papel e espalhou-se pela imprensa a boa notícia de que o lugar ganharia em breve um belo cinema, este que, com certo exagero emocional, diziam que seria o maior e mais confortável do sul do Brasil, comparando-o, inclusive, com as mais modernas salas de Porto Alegre.
E não era para menos, pois o informe vinha muito rico em detalhes: falava em quase 1,5 mil lugares, ar refrigerado, 850 confortáveis poltronas estofadas (da afamada marca Cimo, de Rio Negrinho) e um grande balcão – na parte superior – para mais 380 espectadores; tudo num ambiente de ótima acústica e fina iluminação embutida, tipo luz indireta.
No chão, para a plateia maior, um assoalho côncavo, de modo que um espectador não atrapalhasse o outro na hora sessão. Lá em cima, fileiras dispostas em suaves degraus. Enfim, uma obra quase “faraônica” para o lugar.
Na sala de máquinas, também na parte mais alta, um magnífico e potente equipamento RCA – Víctor; tido por todos como o melhor conjunto de lentes do mundo cinematográfico.
Dito e feito! Do jeito como anunciado, dia 17 de junho de 1948, numa gelada quinta-feira, perto das 5 da tarde, quando as lojas da cidade cumpriam a última hora de expediente, abriram-se as portas e começou o espetáculo: estava entregue à população o tão esperado Cine Vitória, com a santa bênção do padre Érico!
Emocionado e empolgado, no mesmo grau, Clodoaldo Althoff – que em outros tempos jogou no Hercílio Luz FC -, anfitriando, em nome da família empreendedora fez a primeira fala. Com eloquência, historiou o empenho em oferecer aos tubaronenses aquela nova casa de arte que era, sem a menor dúvida, o maior e melhor palco da cidade e um dos melhores do sul do Brasil.
Em seguida, quando ainda ressoavam aplausos a Clodoaldo, o prefeito Francisco Carlos Régis, não menos emocionado e em verve de requinte, deu-se a agradecer o presente ofertado à Cidade Azul, magnífico bem que, em alto e bom tom, foi exaltado também por Ado Faraco, prefeito de Criciúma, outro dos convidados especiais.
Seguiu-se, então a Premiere, com a rodagem da película “Marujos do Amor”, filme com Frank Sinatra, famoso longa metragem produzido nos Estados Unidos em 1945, com 143 minutos de duração.
Na plateia – numa destacada ilustração da imprensa -, desfilaram as mais elegantes senhoras e senhoritas da sociedade, todas envoltas em seus exuberantes e finos vestidos. Muitas delas, inclusive, se faziam acompanhar de enfatiotados cidadãos da elite da Cidade Azul, à época conhecida, também, como A Capital do Sul.
Mais um momento inesquecível vivido pela gente tubaronense.

