A entrada da Audi na Fórmula 1 em 2026 não é resultado de uma decisão recente. O projeto vem sendo estruturado há mais de três anos e culmina na estreia oficial da marca alemã na principal categoria do automobilismo mundial em meio a uma nova era técnica da F1, marcada por motores híbridos mais sustentáveis e carros redesenhados.
A Audi substituirá a Sauber, equipe presente no grid desde 1993, e competirá com estrutura própria, chassi desenvolvido na Suíça e unidade de potência fabricada na Alemanha.
Por que a Audi decidiu entrar na Fórmula 1
A Audi anunciou oficialmente sua entrada na Fórmula 1 em agosto de 2022, logo após a divulgação do regulamento técnico que entrará em vigor em 2026. As novas regras preveem:
maior participação da energia elétrica (50% da potência total);
uso de combustíveis 100% sustentáveis;
limite de custos mais rígido;
meta de neutralidade de carbono até 2030.
Segundo executivos da marca, a Fórmula 1 passou a se alinhar aos valores estratégicos da Audi, combinando inovação tecnológica, sustentabilidade e visibilidade global. Internamente, também pesou o fator comercial: a F1 é vista como vitrine para competir diretamente com Mercedes e BMW no mercado global.
Parceria e aquisição da Sauber
Em outubro de 2022, a Audi confirmou parceria com a Sauber, inicialmente com a compra de uma participação minoritária. O acordo evoluiu e, em março de 2024, o conselho da Audi aprovou a aquisição total do Grupo Sauber, consolidando a operação como equipe de fábrica.
Durante o período de transição, a Sauber seguiu competindo com motores Ferrari até o fim de 2025, enquanto a Audi desenvolvia seu próprio trem de força nos bastidores.
Onde a equipe Audi F1 será baseada
A operação da Audi na Fórmula 1 será dividida em três frentes:
Hinwil, na Suíça: sede histórica da Sauber, onde será desenvolvido e produzido o chassi. O local conta com túnel de vento próprio.
Neuburg an der Donau, na Alemanha: centro de desenvolvimento da unidade de potência da Audi, com mais de 20 bancos de testes.
Inglaterra: nova filial aberta em 2025 para atrair profissionais do chamado Motorsport Valley.
O motor e o novo regulamento de 2026
A Audi será uma das cinco fabricantes responsáveis por desenvolver unidades de potência próprias para o novo regulamento. O motor foi projetado para operar com combustíveis sustentáveis e maior eficiência elétrica.
Em janeiro de 2026, a equipe realizou o primeiro shakedown do carro R26, em Barcelona. O teste foi feito com potência limitada, mas permitiu coleta inicial de dados antes da pré-temporada oficial.
O som do motor, divulgado em vídeos nas redes sociais, chamou atenção e rapidamente viralizou entre fãs da categoria.
Quem são os pilotos da Audi na F1
A Audi definiu sua dupla de pilotos com antecedência para chegar mais preparada à estreia:
Nico Hülkenberg: alemão, experiente, com passagem anterior pela Sauber e destaque recente na Haas.
Gabriel Bortoleto: brasileiro, campeão da Fórmula 3 em 2023 e da Fórmula 2 em 2024, considerado uma das principais promessas da nova geração.
Ambos já correram pela Sauber em 2025, como parte do processo de adaptação ao projeto Audi.
Liderança e comando da equipe
Após mudanças internas e disputas de poder no início do projeto, a Audi definiu uma estrutura de comando em dupla:
Mattia Binotto (ex-Ferrari) atua como diretor de operações e responsável técnico do projeto;
Jonathan Wheatley (ex-Red Bull) é o chefe de equipe nas pistas.
A dupla é responsável por integrar a cultura da Audi à dinâmica competitiva da Fórmula 1.
Linha do tempo: os principais marcos do projeto Audi F1
26/08/2022 – Audi anuncia entrada na F1 como fornecedora de motores
22/10/2022 – parceria com a Sauber é confirmada
03/2024 – Audi decide pela aquisição total da Sauber
04/2024 – Nico Hülkenberg é confirmado como piloto
11/2024 – Gabriel Bortoleto é anunciado como segundo piloto
07/2025 – abertura da base da Audi na Inglaterra
12/11/2025 – apresentação do conceito do carro R26
15/12/2025 – nome oficial é revelado: Audi Revolut F1 Team
01/2026 – primeiro shakedown do carro em Barcelona
08/03/2026 – estreia oficial no GP da Austrália
Expectativas e objetivos
A Audi deixa claro que não entra na Fórmula 1 apenas para participar. O CEO da marca, Gernot Döllner, afirmou que o objetivo é disputar títulos mundiais até 2030.
Com tradição vitoriosa em categorias como Le Mans, WEC, Rally e Dakar, a Audi aposta em planejamento de longo prazo, forte investimento técnico e integração total entre chassi e motor para se tornar competitiva na nova era da F1.

