A concessionária responsável pela BR-101 aguarda, desde 2023, o envio de documentos considerados essenciais sobre a construção da Ponte Anita Garibaldi, em Laguna, para auxiliar na identificação das causas dos problemas estruturais detectados na estrutura. A informação foi apresentada pelo deputado estadual Mário Motta (PSD) durante pronunciamento na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), na terça-feira (14).
Segundo o parlamentar, documentos públicos obtidos por seu gabinete mostram que a concessionária solicitou ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) e à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) registros técnicos da obra, mas ainda não teve acesso integral ao material.
A Ponte Anita Garibaldi está totalmente interditada desde 9 de julho, após a identificação do rompimento de cabos de protensão em um dos vãos centrais da estrutura.
Concessionária aponta falta de documentos técnicos
De acordo com a documentação apresentada por Mário Motta, em maio de 2023 a concessionária e a empresa de consultoria contratada comunicaram oficialmente à ANTT que o projeto As Built disponibilizado pelo DNIT não continha informações suficientes sobre a execução da obra.
Conforme o deputado, essa limitação dificultaria a investigação das causas dos problemas estruturais identificados na ponte.
Entre os documentos solicitados estariam:
- Diários de obra;
- Boletins de campo;
- Registros do fechamento do vão central;
- Dados sobre ajustes realizados nos estais;
- Outros documentos relacionados à execução da construção.
Segundo o parlamentar, os pedidos foram reiterados diversas vezes desde então.
Problemas estruturais levaram à interdição
Durante o pronunciamento, Mário Motta relembrou que a concessionária já havia informado à ANTT, no fim de junho, sobre a necessidade de restringir por aproximadamente seis meses o tráfego de cargas especiais com peso superior a 10 toneladas por eixo.
A medida foi motivada pela identificação de uma abertura de 2,5 milímetros entre aduelas no vão lateral do mastro 36.
Entretanto, novos ensaios realizados em 8 de julho apontaram o rompimento de cabos de protensão na junta entre as aduelas A6 e A7 do vão central, junto ao mastro 35. Diante do resultado, a ponte foi totalmente interditada no dia seguinte por questões de segurança.
Foto apresentada levanta novas hipóteses
O deputado também exibiu uma fotografia da fase final da construção da Ponte Anita Garibaldi.
Segundo Mário Motta, a imagem registraria um desnível entre as estruturas imediatamente antes do fechamento do vão central, situação que, segundo ele, não constaria na documentação As Built fornecida pelo DNIT.
O parlamentar afirmou ainda que relatórios técnicos posteriormente utilizados pela própria concessionária levantam hipóteses de que soluções adotadas durante o fechamento do vão poderiam influenciar o comportamento estrutural da ponte ao longo do tempo.
Moção pede localização dos documentos
Durante a sessão da Alesc, Mário Motta informou ter protocolado uma Moção de Apelo direcionada ao DNIT e à ANTT.
O documento solicita que os órgãos concentrem esforços para localizar, preservar e disponibilizar toda a documentação referente à construção da Ponte Anita Garibaldi.
Segundo o deputado, ele também avalia a adoção de outras medidas institucionais relacionadas ao caso, por entender que a ausência desses registros pode trazer impactos para a fiscalização da obra, o processo de recebimento da estrutura e a preservação do patrimônio público.
“Todas essas respostas deveriam estar na mesa da concessionária há anos. Se eles já tivessem sido respondidos, talvez não estaríamos precisando enfrentar essa dolorosa paralisação do trânsito na ponte. O que nós estamos apurando é uma verdadeira falta de respeito com o catarinense. A ANTT e o DNIT precisam ser responsabilizados por todo esse prejuízo que o estado está enfrentando”, afirmou o deputado Mário Motta.
