Ao longo da historia do processo eleitoral brasileiro, a ausência da participação popular nas decisões políticas foi predominante. Durante a colonização, os poderes foram se estabelecendo, a primeira forma de poder foi local (câmaras municipais), governadas pelos chamados homens bons, homens ricos que administravam conforme suas necessidades e vontades.
Mesmo após a separação política do Brasil, em 1822, a primeira Constituição deixou para trás 95% da população brasileira sem direito ao voto, as eleições eram indiretas e censitárias, homens livres proprietários e condicionados ao seu nível de renda tinham direito ao voto. Com a proclamação da república em 1889, acabou com o sistema censitário, porém, no período da república velha, o voto era descoberto (não secreto), impedindo a autonomia da escolha política. Dessa forma, os grandes latifundiários fraudavam as eleições, por favores políticos, manipulando e controlando toda população, sendo que essa pratica era considerado como voto de cabresto.
Com a revolução vitoriosa de 30, Getúlio Vargas prometeu estabelecer a democracia, acabando com o poder político que a oligarquia exercia no país. Porém, Vargas acabou aplicando um golpe contra a instituição, implantava no país a ditadura do Estado Novo, abolindo as eleições. O povo ficou alheio ao direito do voto.
Com o fim do estado novo, o Brasil passou a adotar novamente eleições diretas, sendo que alguns setores conservadores da sociedade não iam de acordo com as escolhas do politica do povo, e com menos de 19 anos de democracia, a instituição novamente era golpeada.
O golpe militar de 1° de abril de 1964 transferiu o poder aos militares e suspendeu todas as garantias individuais, os direitos políticos e a cassação dos mandatos legislativos. Determinando eleições indiretas. A ditadura usou de aparelhos repressivos para reprimir, torturar, matar e calar os que reivindicavam os seus direitos, obrigando os jovens a pegarem em armas para lutar pelos seus direitos políticos. Os que morreram lutando tornaram-se verdadeiros mártires da luta pela democracia.
Após o golpe, o processo de democratização política começa com a posse do general Ernesto Geisel, a abertura política se dá de forma lenta. Em 1983, o povo sai às ruas para reivindicar ao congresso a aprovação da Emenda Dante de Oliveira, que estabelecia as eleições diretas para presidente. Esta manifestação ficou conhecida como “Diretas Já”.
Em 1985, o Brasil volta a ter regime democrático, depois de 29 anos sem eleições diretas para a escolha do presidente da república. Portanto, com a redemocratização do país, era necessária uma nova Constituição, esta que foi promulgada em 5 de outubro de 1988, ficando conhecida como Constituição Cidadã, pois institui garantias políticas e sociais, contando com grande participação popular.
Fica claro que a população foi excluída por muitos anos de escolher o destino político do país. Dessa forma, em respeito àqueles que sempre lutaram pela democracia, contra os ditadores que estiveram presentes no poder, a sociedade de hoje não pode desvalorizar esse direito conquistado. É necessário refletir para que tenhamos certeza em quem votar, pois o poder hoje está em nossas mãos.

