Nesta segunda-feira, o mundo celebra o Dia Internacional do Cooperativismo. E motivos para comemorar é o que não faltam, pelo menos no Brasil, e ainda mais em Santa Catarina.
O movimento cooperativista atua em 13 áreas: agropecuária, consumo, crédito, educação, especial, habitacional, infraestrutura, mineral, produção, saúde, transporte, trabalho, turismo e lazer, tendo como fundamento principal de sua ação a inclusão social, com geração de emprego e distribuição de renda.
Os números do cooperativismo nacional são impressionantes, envolvendo mais de trinta milhões de pessoas com o trabalho gigantesco desenvolvido pelas mais de seis mil cooperativas espalhadas por todo o território nacional.
Ao produzir e distribuir riqueza, o cooperativismo é um dos principais responsáveis pela melhoria da qualidade de vida do nosso povo. Diversas pesquisas agropecuárias revelam que nos municípios e regiões onde predomina a atividade cooperativa o IDH – Índice de Desenvolvimento Humano é muito superior à média nacional.
Só no setor rural são 1548 cooperativas, que reúnem um milhão de associados e empregam 160 mil trabalhadores. A maioria dessas associações congrega pequenos agricultores, noventa por cento deles com áreas de cultivo abaixo de cem hectares. Mas sua eficiência e produtividade é tal que metade de tudo o que é produzido no campo vem das mãos e máquinas de cooperados!
Em Santa Catarina, nossas 261 cooperativas tiveram um crescimento de 17% em sua receita operacional bruta em 2011, que chegou a R$ 14 bilhões 797 milhões de reais. Mais de 1 milhão de pessoas estão de alguma forma vinculadas ao cooperativismo, o que significa quase metade da população estadual.
O ramo agropecuário, que representa 65% do movimento econômico do sistema cooperativista catarinense, registrou no ano passado um faturamento de R$ 9 bilhões e meio de reais, com 52 cooperativas e um quadro social de 63.076 cooperados e 24.681 empregados.
Sempre fui um defensor e admirador do sistema cooperativista. Creio que ele une o que há de bom no sonho comunitário e solidário socialista e o que há de saudável e eficaz na realidade capitalista, retirando o que há de mal e nocivo em ambos os sistemas.
Escritor, intelectual e dramaturgo, Václav Havel foi o último presidente da Checoslováquia e o primeiro presidente da República Checa. Em novembro de 1989, a Praça Carlos, no centro de Praga, estava apinhada de gente. Um milhão de pessoas exultava com a queda do Muro de Berlim e o fim da era comunista. Os discursos dos líderes da resistência à ditadura eram uníssonos na saudação ao capitalismo.
Saído de uma longa temporada na prisão, Havel proclamou o grande discurso da noite. Ao invés de fazer coro àquela exaltação ao regime capitalista, ele fez uma advertência de estadista: “O comunismo perdeu, mas o capitalismo também não venceu!”.
Anos depois, o sociólogo Domenico De Masi citou essa frase em seu inquietante livro “O Futuro do Trabalho” e, com maestria, sintetizou as características dos dois regimes: “O comunismo soube distribuir a riqueza, mas não soube produzi-la. O capitalismo soube produzi-la, mas não soube distribuí-la”.
Em consonância com essa visão, Arthur Schlessinger Júnior, em conferência memorável sobre o fim da Guerra Fria, afirmou que o mundo que derrubava o muro de Berlim não desejaria morar no Sul do Bronx (bairro pobre e violento de Nova Iorque).
Sempre que reflito sobre as palavras de Havel, de De Masi e de Schlessinger, concluo que o homem só produziu um sistema econômico capaz de, ao mesmo tempo, produzir e distribuir a riqueza: o cooperativismo.

