A Coreia do Sul decidiu manter o envio de petróleo por rotas ligadas ao Estreito de Hormuz, mesmo diante do agravamento da crise energética na Ásia. O cenário é consequência do conflito no Oriente Médio, que já dura seis semanas e compromete parte relevante do abastecimento global.
A região asiática é a mais afetada, já que recebe cerca de 90% do petróleo e 83% do gás natural liquefeito (GNL) que passam pelo estreito — rota considerada estratégica para o comércio mundial de energia.
Fechamento do estreito pressiona mercado global
O Irã restringiu o tráfego marítimo aliado no Estreito de Hormuz no início de março, após ataques dos Estados Unidos e de Israel atingirem instalações militares e nucleares no país.
Com isso, aproximadamente 20% da oferta global de petróleo foi retirada do mercado, provocando forte alta nos preços e pressionando economias dependentes de importação de energia, especialmente na Ásia.
Coreia do Sul adota medidas emergenciais
Diante do cenário, o presidente sul-coreano Lee Jae Myung pediu à população que economize combustível e classificou a situação como uma das mais graves ameaças energéticas das últimas décadas.
O governo implementou medidas como:
- Rodízio obrigatório de veículos no setor público
- Avaliação de restrições para carros particulares
- Planejamento de rotas alternativas de transporte marítimo
Mesmo com os riscos, Seul optou por continuar importando petróleo do Oriente Médio para evitar desabastecimento.
Países asiáticos recorrem a reservas e carvão
Outros países da região também adotaram medidas emergenciais:
- Japão: liberou cerca de 80 milhões de barris de reservas estratégicas
- Filipinas: decretaram emergência energética nacional
- Sudeste Asiático: ampliou o uso de trabalho remoto para reduzir consumo
Além disso, nações como Coreia do Sul, Tailândia e Bangladesh aumentaram a geração de energia a carvão para compensar a queda nas importações de GNL.
Impactos econômicos preocupam
O Banco Asiático de Desenvolvimento alertou que a crise pode reduzir o crescimento econômico da região em até 1,3 ponto percentual entre 2026 e 2027.
Também há projeções de aumento da inflação em até 3,2 pontos percentuais.
Analistas indicam que o petróleo tipo Brent pode atingir:
- US$ 150 por barril em cenário prolongado
- Até US$ 200 em caso mais extremo
Na Europa, os efeitos já começam a aparecer. Países discutem racionamento e medidas emergenciais, enquanto o preço do diesel atinge níveis recordes desde 2022.
Tentativas de cessar-fogo fracassam
Esforços diplomáticos para reabrir o Estreito de Hormuz ainda não tiveram sucesso.
Uma proposta de cessar-fogo de 45 dias apresentada por Egito, Paquistão e Turquia foi rejeitada pelo Irã, que condiciona negociações ao fim dos ataques.
Enquanto isso, os Estados Unidos pressionam pela reabertura da rota, elevando o risco de novos desdobramentos no conflito.
Crise sem previsão de solução
Com parte significativa do fornecimento global de petróleo comprometida e sem avanço nas negociações, a crise energética na Ásia segue sem perspectiva de solução no curto prazo.
Especialistas apontam que, caso o bloqueio persista, os impactos podem se intensificar tanto na economia global quanto no custo de vida da população.

