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Cultura é debatida em audiência pública

Alesc promove debate para garantir a preservação do patrimônio cultural do Estado.

Florianópolis

O Estado de Santa Catarina é rico em diversidades culturais materiais e imateriais que estão sendo esquecidas. Para debater a preservação do patrimônio cultural catarinense, uma audiência pública ocorre hoje na Assembleia Legislativa, em Florianópolis. “Santa Catarina possui um patrimônio cultural riquíssimo, que precisa cada vez mais ser conhecido para ser reconhecido e, assim, valorizado e preservado. A audiência pretende refletir sobre as políticas voltadas ao patrimônio e sensibilizar as pessoas para a importância de sua preservação”, esclarece a presidente da Comissão de Cultura da Alesc, deputada Luciane Carminatti.

O Plano Estadual de Cultura, que integra o projeto de lei do Sistema Estadual de Cultura, em tramitação na Alesc, prevê que cabe ao poder público estadual “garantir a preservação do patrimônio cultural do Estado, resguardando os bens de natureza material e imaterial, os documentos históricos, os acervos, as coleções, as paisagens culturais, as línguas maternas, os sítios pré-históricos e as obras de arte, portadores de referência de valores, identidades, ações e memórias de diferentes grupos formadores da sociedade do Estado”.

De acordo com a parlamentar, um dos objetivos da audiência é debater soluções. “Queremos mostrar que, mesmo antes da aprovação da lei do sistema, estamos atentos e cobraremos o cumprimento do plano”, afirma.

 

Cultura literária tem sido desvalorizada
Além dos patrimônios históricos, o Estado possui uma ampla cultura artística e literária. Cada município, com suas peculiaridades, acumula talentos e ‘tesouros’ que estão esquecidos nas prateleiras e até escondidos com cidadãos que não conseguem apoio para divulgar suas obras. Com o intuito de resgatar as tradições, a literatura, a poesia e as expressões artísticas e culturais, a Academia de Letras do Brasil Santa Catarina (ALBSC) tem reunido escritores, poetas, artistas, professores e outros profissionais apaixonados pela cultura em diversas cidades por meio das seccionais.
Fundada em 2008, a entidade conta com 85 seccionais em todo o Estado que fomentam a cultura local. De forma voluntária e independente, a academia de letras tem resgatado esses talentos, principalmente nos pequenos municípios. O presidente da ALBSC, professor Miguel João Simão conta que a falta de incentivo do poder público é evidente nesse setor. “Percebemos que infelizmente há um descaso do poder público principalmente na região da grande Florianópolis e região Sul do Estado. Diferente do Norte e Alto Vale, onde o poder público tem abraçado o trabalho. Não pedimos nada, apenas a participação e o incentivo abrindo as portas das escolas, apoiando os eventos locais”, afirma.

 

Academias de Letras da região desenvolvem ações
O comunicador, radialista e presidente da Microrregional Amurel da ALBSC, Fernando Carvalho, informe que a entidade abrange 22 municípios da região Sul e no último ano já implantou academias em como Tubarão, Imbituba, Laguna, Gravatal, Treze de Maio, Imaruí, Criciúma e Garopaba. “É um trabalho árduo e que não pode parar. Temos que criar e ajudar a desenvolver a cultura. Percebemos que os poderes públicos municipais da região dão pouca importância para a literatura e cultura. Cada escritor tem que fazer ‘rifa’ e buscar ajuda para lançar seus livros, sem falar nos patrimônios históricos perdidos. Estamos remando contra a maré na luta pela cultura”, dispara. De acordo com o presidente da ALBSC no Estado, a academia busca alcançar todos os municípios por meio da abertura de seccionais. “Temos alcançado as cidades menores com o fomento à cultura e oportunizando os escritores que estão no anonimato. Enquanto o governo por meio da Lei Rouanet destina recursos para promoção particular de artistas da música, as entidades literárias não tem oportunidade”, lamenta.

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