U m prospecto anônimo, à disposição dos munícipes ou dos visitantes, revelando ter sido elaborado pela Secretaria de desenvolvimento econômico e departamento de turismo, está dando demonstração de que seu autor (ou autores) desconhece a história de nossa cidade.
Provando não ser do ramo, o redator apenas afirma que a cidade foi fundada em 27 de maio de 1890 e que seu nome proveio do Cacique “Tuba-Nharõ”, ou Pai Feroz. Em referência muito rápida à Ferrovia Tereza Cristina, o referido texto diz que iniciou a sua construção em 1884. Conclui citando o topônimo de “Cidade Azul”, dado pelo poeta Virgílio Várzea, em uma de suas passagens pela Vila, como se tivesse de alguma forma, participado da fundação da cidade.
No entanto, o referido prospecto omite a informação mais importante, que é o nome do fundador – João Teicxeira Nunes – pela doação de uma área de grande valor no cume do morro da Catedral. Para comprovar este fato de suma importância, basta ler uma placa de bronze na qual muitos, distraídos, não leem os dizeres: Praça João Teixeira Nunes – fundador da cidade – Dilney Chaves Cabral – prefeito de Tubarão em 1980.
Outro destaque ainda mais importante, localizado mais abaixo, logo na primeira subida da escadaria da mesma praça, à direita de quem sobe, está o que restou de um belo painel, infelizmente relaxado e danificado, de autoria do nosso maior artista, internacionalmente reconhecido, Willy Zumblick, em que homenageia o fundador da cidade. Quando, de retorno de uma viagem de canoa, acompanhado de sua esposa e trazendo o documento em que declarava ser possuidor de uma sesmaria que tinha seu início na rua Esteves Junior, Praça Orlando Francallacci, seguindo pela rua Lauro Muller e Marechal Deodoro até a rua dos Ferroviários, esquina do Clube 11 de Janeiro, já no bairro de Oficinas.
Atendendo a uma solicitação de sua esposa, trazia outro documento, uma doação, em que beneficiava, com uma faixa de terras de 80 x 80 braças sobre o cume do Morro da Igreja, hoje Catedral. Para terem uma ideia mais precisa, era constituída de um marco de pedra (hoje enterrado, mas ainda visível) defronte à sede do antigo Ipesc, no Jardim Público, seguindo pela rua São José até a rua Coronel Teixeira, subindo até o local da Casa Paroquial, e guardando as 80 braças à esquerda, até um pouco além da rua Prudente de Moraes, fechando o quadro e retornando à avenida Rodovalho. Esta doação ainda é respeitada já elaborada em nome de nossa padroeira, Nossa Senhora da Piedade. Mal sabiam que aquele ato poderia resultar no batismo de nossa diocese.
Retornando à bela obra do emérito Pintor Willy Zumblick, seria oportuno aproveitar as comemorações de seu centenário de nascimento, para motivar o ex-prefeito Miguel Ximenes de Melo Filho, a liderar o movimento em favor de sua restauração e conservação, objetivando transformá-lo, quem sabe, em obra de igual valor à Guernica, de Picasso, exposta no Centro Nacional de Arte Rainha Sofia, em Madri. Seria uma bela homenagem póstuma ao nosso querido artista, o pintor e escultor Willy Zumblick.
Por oportuno, sugerimos, a quem de direito, na prefeitura, a retificação de outro erro crasso, contido no mesmo prospecto, no que se refere ao rio Tubarão, ao dizer que suas águas correm de sul a leste, fazendo-as correr de oeste para leste, como manda a correta geografia.

