Há pouco mais de 500 anos, tudo começou de modo torto, com os europeus, em sua maioria portugueses, dominando nossas terras indevidamente, enganando nossos habitantes, trocando bijouterias por matérias-primas das mais preciosas, usurpando-os de modo magnífico, “tirando doce da mão de criança”.
Passados mais de cinco séculos, o enredo permanece, o cenário é o mesmo, os atos seguem o mesmo roteiro, mudam apenas os personagens. Nossa festa mais popular exalta a falta de princípios, a imoralidade e a promiscuidade. Em dez anos, nossa cultura tem-se resumido a um programa televisivo que mostra a intimidade de uma casa. E o mais impressionante: gostamos disso!
É quase uma política de pão e circo. Nosso poder público é ingênuo, aliás, manipula quem é ingênuo, dopa o povo com a realização de algo grande e no resto do tempo administra nossos impostos. Quanto imposto não é verdade? Em breve, nossos contra-cheques poderão vir com saldo negativo, tamanho é o desconto, mas para quê? Dizem que é para melhoria da saúde, da educação, da segurança pública, do transporte e outros encargos que compõem o nosso dia-a-dia. Mas, saúde?
Quantos estão tendo suas vidas ceifadas devido ao descaso de nossas autoridades competentes a cuidar desses casos? E a educação? Quando era aluno, reclamava que eu só tinha deveres, reivindicava meus direitos. Hoje sou professor, meus pedidos foram atendidos, os alunos ganharam uma infinidade de direitos, mas, e os professores? E a segurança pública? Se nossa educação realmente recebesse o que lhe é digno, nossos policiais andariam desarmados.
Para encerrar, venho falar de transporte, pois já estou adquirindo uma nova bicicleta. Que tal é esse pré-sal? É para salgar o preço do nosso combustível? Engraçado é o fato de nossos ‘hermanos’ receberem o mesmo combustível e lá ser revendido por muito menos do que aqui. Imagino que isso deveria receber um espaço nas páginas policiais dos nossos jornais, contudo, estamos tão obcecados, cauterizados e, além de tudo, dopados com os “espetáculos”, que nos oferecem que nos esquecemos do poder que temos em nossas mãos. Poderia falar da BR-101, que vai virar história em quadrinhos, poderia citar a chacina em Realengo, os ex-alunos armados em Tubarão, mas encerro por aqui com um refrão de uma das músicas de Renato Russo: “Que País é Esse?”.

