Priscila Alano*
Tubarão
Sonhos, conquistas, realizações… o que as mulheres podem comemorar hoje, Dia Internacional da Mulher? Este ano perdemos uma das mulheres mais importantes da história recente: a médica Zilda Arns. Um modelo de superação e luta.
Milhares de “Zildas” estão espalhadas pelo mundo em busca de uma sociedade mais justa e igualitária. Tubarão também tem a sua. Zilda Medeiros, 52 anos, é uma dessas mulheres guerreiras que não se deixa abater pelas dificuldades impostas pela vida. Ela é filha, é mãe, é esposa, amiga. E tudo de cadeira de rodas.
“Aos 4 anos tive paralisia infantil e nunca mais andei. Mas isso não me impediu de fazer as minhas atividades diárias. Quando jovem saía para me divertir com meus amigos. Faço todo o serviço doméstico, sempre trabalhei e luto pelo espaço do deficiente na sociedade”, expressa a Zilda tubaronense.
Moradora do bairro Recife, a experiência e a determinação de Zilda a transformaram em uma espécie de consultora para outras pessoas que passam pelos mesmo problemas.
“Muitas pessoas entram em contato comigo para saber como superei minhas dificuldades, como vivo em uma cadeira de rodas. A maioria acha que a vida acaba e se isolam do mundo. Nada acaba. Pelo contrário, recomeça. Sempre tive uma vida ativa e muito feliz”, valoriza Zilda.
* Especial para o Notisul.
Sonho realizado
O desejo de ser mãe também aflorou na vida da tubaronense Zilda Medeiros. E mais um vez ela provou que a cadeira de rodas não é um empecilho. Aos 25 anos, Zilda teve Diego, hoje seu melhor amigo. “Já tenho até netinhos. São dois. Um casal”, conta, com os olhinhos brilhantes.
Zilda é casada e participa ativamente do cotidiano de sua comunidade, frequenta clube de mães e não perde a oportunidade de viajar e passear por lugares diferentes. “Eu não sei o que é ser uma pessoa deficiente, eu danço na cadeira de rodas, vou à praia. Hoje, o meu desejo é ter uma cadeira motorizada. A idade chega e sabe como é. Meus braços já não aguentam mais”, pede.
