Esta data foi buscada no calendário pediátrico brasileiro correspondente a data da fundação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), em 1910. Historicamente, a pediatria surgiu no Brasil no fim do século 19 e pouco mais de uma década depois já estava reunida em uma associação nacional.
O pediatra autor faz parte dos 4,9 mil especialistas brasileiros afiliados à sua sociedade em 1974. A SBP conta, atualmente, com mais de 25 mil associados documentados, dos mais de 28 mil pediatras brasileiros. Destes, quase 70% são mulheres. Aparentemente, é um número suficiente de especialistas espalhados por este grande Brasil. Profissionais mal distribuídos, subdivididos em várias subespecialidades, um nicho mais interessante do que apenas ser um pediatra geral.
Há pouco mais de dez anos, em cada turma de médicos formados, uns 20% buscavam a pediatria. Hoje, raros são os que seguem este encaminhamento. Foram fechadas residências e reduzidas muitas delas. A SBP, nos últimos 12 anos, teve a entrega de títulos de especialistas reduzida em 42%.
Em qualquer lugar do Brasil, o pediatra nunca foi tão solicitado como atualmente para os quadros clínicos de hospitais e clínicas, principalmente para as escalas de plantões. Muitos serviços pediátricos fecharam, como o plantão do Hospital Nossa Senhora da Conceição, em Tubarão.
Os consultórios estão sendo fechados e os pediatras migrando para clínicas, buscando baratear sua estrutura de trabalho. Está provado que 97% das mães preferem que seus filhos sejam atendidos pelo pediatra, mas nem sempre é possível. Os serviços públicos, geralmente com poucos ou até sem pediatras, faz com que clínicos gerais sejam deslocados para atendimento de crianças. Risco e insatisfação para os dois lados, o que atende e o que recebe a atenção.
A pediatria, pela complexidade, é especialidade difícil de ser praticada, quando bem exercida. Tem ponto de partida antes do nascimento (que será obrigatório), acompanha a criança em todo seu desenvolvimento, ultrapassando a adolescência até os 20 anos.
Hoje, a especialidade sofre rápido declínio profissional. De modo geral, o médico, ao formar-se, tem como escopo servir e sobreviver em padrão satisfatório. O pediatra geral é mal remunerado em empregos ou quando trabalha como autônomo. O cliente particular, que melhor remunerava, deixou de existir.
Então, para conseguir melhor padrão, inclusive para aplicar em permanente atualização longe de seu local de trabalho, é necessário preencher todos espaços possíveis, ultrapassando em muito as horas recomendadas para o trabalho. O pediatra comprometido trabalha dez horas diárias ou mais, além dos plantões noturnos e fins de semana.
Se usar os horários recomendados, com certeza não sobrará capital para uma vida digna de cidadão e de médico bem atualizado. Em termos de Brasil, boa parcela dos pediatras em ação está avançada em idade, dando sua participação para que as crianças não fiquem sem assistência.
As comunidades, e a nossa é bom exemplo, hoje com ótimo padrão de saúde infantil, com certeza deve o feito ao bom trabalho de seus pediatras. O ótimo estágio de saúde que gozam nossas crianças, tornando-as jovens saudáveis e adultos que ultrapassarão os 80 anos é fato conseguido nos últimos 40 anos. Até a década de 70, o obituário infantil, na região onde Tubarão é polo, era assustador.
Hoje, um óbito infantil é quase motivo de manchete. Não estou afirmando ser apenas trabalho do pediatra, mas muitos fatores somaram-se para que se chegasse a esse estágio. Tenho dúvidas se 27 de abril será dia de alegria pelo que se conquistou, ou de reflexão pelos descaminhos que a medicina está enveredando, reduzindo o atendimento a partir da base, a especialidade pediátrica.
Acordem os poderes públicos, faculdades de medicina, população com força de pressão. Participem de ações que entusiasmem jovens médicos a abraçar a especialidade básica para que os nenês de hoje sejam os anciãos do futuro.

