No Dia Mundial da Alfabetização, celebrado nesta segunda-feira (8), especialistas reforçam os desafios que o Brasil enfrenta para garantir o direito básico de ler e escrever. Dados do Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional (Inaf) mostram que 29% da população entre 15 e 64 anos é considerada analfabeta funcional.
A data foi criada pela Unesco para destacar a importância da alfabetização no desenvolvimento social e econômico. No entanto, no Brasil, a desigualdade segue sendo um obstáculo central, tanto na infância quanto na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Desigualdades na alfabetização infantil
Para a pedagoga e psicopedagoga Gabrielle Paganini, o maior desafio na alfabetização infantil é equilibrar contextos distintos.
“Existem crianças que têm muitos estímulos em casa, acesso a livros, enquanto outras vivem realidades completamente diferentes. Esse contraste impacta diretamente no processo de aprendizagem”, explicou em entrevista à Rádio Brasil de Fato.
Obstáculos na Educação de Jovens e Adultos
No caso da EJA, os desafios se ampliam. Paganini lembra que muitos estudantes são adultos e idosos que já trabalham e não tiveram acesso à alfabetização no tempo adequado.
“É preciso lidar também com questões socioemocionais desses alunos, o que torna o processo ainda mais complexo”, afirmou.
Impactos sociais e econômicos
Segundo Paganini, o analfabetismo funcional vai além da sala de aula.
“Não é apenas ler e escrever, precisamos interpretar o que está escrito. A falta dessa habilidade compromete a vida em sociedade e a economia. A interpretação de textos deve ser tratada como base para reduzir os índices de analfabetismo funcional”, destacou.
Iniciativas do governo
A pedagoga também ressaltou a importância de programas como o Compromisso Nacional Criança Alfabetizada, do Ministério da Educação, que busca garantir a alfabetização até o 2º ano do ensino fundamental.
“Temos que pensar na alfabetização como um processo contínuo, que começa na educação infantil. É fundamental que essas iniciativas sejam mantidas para assegurar que as crianças sejam alfabetizadas na idade certa”, concluiu.

